segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Tempo de natal

Desde que Jesus nasceu em Belém, o mundo se tornou também casa de Deus.
A luz divina lentamente ilumina os seres humanos e os ecossistemas, em relação de interdependência.
Dá novo sentido à evolução do cosmos e a história, com suas belezas, ambiguidades e riscos.
Viva a Luz amorosa, com cheiro e cor de Ternura!
Feliz Natal!

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Prioridades provinciais

Partilho com você, que é membro de Instituto Religioso, as prioridades que aprovamos no Capítulo da Província Marista do Brasil Centro-Norte, para o triênio 2013-2015.

1.      Revitalizar a Vida Religiosa Marista, que propicie um novo jeito de ser Irmão, fortaleça as relações humanas e favoreça espaços de crescimento e cuidado, para sermos sinal profético de fraternidade entre nós e na missão.

2.      Potencializar a missão evangelizadora, intensificando as relações entre as áreas: educacional, social, pastoral, administrativa, com ênfase na defesa dos direitos das crianças, adolescentes e jovens pobres.

3.      Consolidar a governança corporativa e o equilíbrio econômico-financeiro, com posicionamento estratégico, em vista da vitalidade institucional.

4.      Ampliar a cultura vocacional e os processos e experiências de formação conjunta de Irmãos, Leigas e Leigos maristas, na vivência de nosso carisma.


domingo, 11 de novembro de 2012

Brilhe a vossa luz! Evangelização e mídia

O verbo “brilhar”, com a ambiguidade que ele comporta, é um dos mais significativos termos da cultura contemporânea. De forma literal, brilhar significa fazer com que a luz estimule nossos sentidos. A luz intensa realça as cores. Um shopping é projetado com luz amarela ou branca intensa, a fim de estimular a visão e suscitar o desejo de consumo. É uma luz que não conhece diferença de intensidade. Seja dia ou noite, no shopping há sempre muita luz. De forma metafórica, “brilhar” significa ter sucesso, destacar-se dos outros, de forma a se tornar até uma celebridade. Ora, a Internet e as redes sociais tem servido para fazer as pessoas brilharem. Um clip original se espalha rapidamente, e milhões de pessoas o assistem. Há gente que coleciona “amigos” no facebook ou no orkut, sem nenhum critério, simplesmente pelo desejo de ser visto ou lembrado. Este não é o critério de Jesus.

Jesus diz que seus seguidores devem fazer ecoar a boa notícia do Evangelho, a começar das atitudes e ações que fazem a diferença (as boas obras). Brilhar não significa voltar os holofotes para si, mas direcionar a luz, para que as pessoas vejam. Não consiste em “mostrar-se”, e sim em apontar para algo e Alguém que é a razão de ser da nossa existência. Aqui reside a diferença fundamental entre a “visibilidade midiática” e a “visibilidade profética”. No primeiro caso, o indivíduo ou a instituição aparece porque deseja “aparecer”. A mensagem consiste em anunciar a si mesmo, a sua marca, a sua logo. E para ganhar projeção desta forma, é necessário moldar o discurso e a prática, de forma que se tornem atraentes, desejáveis, consumíveis. Infelizmente, algumas manifestações de massa das Igrejas cristãs estão revestidas dessa intencionalidade medíocre e egóica. “Olhem para mim. Eu estou aqui!”. A visibilidade somente midiática visa conquistar espaço, deixar sua marca. Mas, para que? A serviço de qual projeto de humanidade?

A visibilidade profética, por sua vez, está focada no sinal que aponta para a mensagem. Basta percorrer as figuras bíblicas de profetas como Isaías, Jeremias, Oséias e Ezequiel. Eles usam símbolos fortes. Deixam-se ver pela multidão. Falam a alta voz. Brilham! Mas o brilho não é para si, e sim para a causa que defendem. Reúnem muitas pessoas, mas também são causa de contradição, pois o conteúdo da mensagem profética não se reduz a apaziguar as consciências. Ao mesmo tempo, e com diferente intensidade, anunciam e denunciam, questionam e consolam, desinstalam e suscitam esperança.
Em continuidade com os profetas, assim também fez Jesus. Ele é causa de contradição, que ergue e derruba. A luz que manifesta e revela o que as aparências escondem (Lc 1,34-35). As palavras e os gestos de Jesus iluminam a existência humana, desvelando seu lado luminoso e sua face tenebrosa. Deus enviou o seu Filho ao mundo não para condená-lo, mas para que o mundo seja salvo. O julgamento é este: a luz veio ao mundo... Quem pratica o mal tem ódio da luz, para que as suas obras não sejam desmascaradas. Mas quem age segundo a verdade, se aproxima da luz, para que se manifeste que suas obras são feitas em Deus (Jo 3,19-21). O povo reconhece Jesus como um profeta extraordinário, que fala em nome de Deus, com gestos e palavras: Um grande profeta apareceu entre nós e Deus veio visitar seu povo (Lc 7,16).

A participação de cristãos e de pastorais nas redes sociais (e em outros espaços da internet) pode contribuir para que esta luz de Jesus, que brilha nos seus seguidores, favoreça uma grande corrente do Bem. Efetivamente nos sentimos conectados, sintonizados. Ali se expressam desejos, esperanças, experiências significativas. Ganham visibilidade gestos pessoais e coletivos, palavras e imagens que agregam valor. Por vezes, em forma de denúncia. Outros momentos, recheados de bom humor, de encanto, de beleza. Ecoam, ressoam e se difundem.

Portanto, deve-se utilizar os espaços midiáticos possíveis, para que a mensagem do Evangelho ecoe nas pessoas, nos grupos e na sociedade. E como as redes sociais tem se mostrado uma poderosa ferramenta de comunicação, elas são bem vindas. Condição irrenunciável: manter o foco na causa e na mensagem de Jesus, em gestos e palavras libertadoras, evitando o estrelismo das pessoas ou das instituições.

Fonte: parte do artigo de Afonso Murad “Ecoar a palavra e ressoar os gestos. Leitura teológica a propósito das redes sociais” no livro Redes Digitais. Tecendo relações, construindo comunidades, exercendo cidadania. Curso de Verão – Ano XXVI. Paulus – CESEEP, pag. 90-91.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Diminuição de católicos no Brasil e projeto evangelizador

José Lisboa Moreira de Oliveira
Os dados do último censo demográfico revelaram uma queda no número de católicos no Brasil. Segundo as estimativas a percentagem caiu de 83,34% para 67,84% nos últimos 20 anos (..) Não seria necessário esperar estes dados oficiais para nos darmos conta deste fenômeno. Qualquer católico sério, antenado com a realidade, sabe muito bem que sua Igreja perde cada vez mais fiéis. Basta dar uma olhada nas missas, nos grupos, nos movimentos, nas pastorais, para perceber com clareza esta situação. É verdade que alguns templos ainda ficam repletos aos domingos e que alguns padres cantores reúnem milhares de pessoas em seus espetáculos religiosos. Alguns se iludem com isso e pensam piamente que a Igreja Católica ainda é uma força hegemônica. Mas este público é insignificante diante da percentagem de católicos, de modo que se pode afirmar, sem medo de errar, que o número de praticantes é bem inferior aos dados fornecidos pelo IBGE. Se formos fazer a conta na ponta do lápis é possível dizer que os católicos praticantes não superam os dez por cento. Se depois pensarmos na juventude participativa este número deve cair para menos de um por cento.

A diminuição dos católicos no Brasil coincide com o desmantelo da Igreja da libertação e com a implantação de um regime católico neoconservador. (...) As comunidades eclesiais de base vão sendo sistematicamente abolidas e substituídas pelos movimentos pentecostais católicos (..) São nomeados bispos mais conservadores, os quais são orientados a sistematicamente destruir todo e qualquer vestígio de Igreja da libertação (...) Chegam ao Brasil das redes católicas de televisão e seus programas de apologia ao conservadorismo (..)  Aumenta o número de padres cantores, de padres na mídia e de seminaristas midiáticos, todos eles plugados vinte e quatro horas na internet para "evangelizar” através de meios moderníssimos e velozes (..) Aparecem e se multiplicam comunidades exóticas com seus trajes medievais e seus costumes estranhos e maniqueístas. A diminuição de católicos não para, apesar de todo o esforço para massacrar a teologia da libertação, punir teólogas e teólogos brasileiros, vestir clericalmente os padres, romanizar as liturgias e tirar do velho baú católico coisas ultrapassadas, arcaicas e mofas.
Alguma coisa deu errada. No final dos anos 1970, quando, com o pontificado de João Paulo II, o neoconservadorismo começa a aparecer, dizia-se que a Igreja da libertação tinha que ser banida porque colocaria em risco o futuro da Igreja Católica no continente latino-americano. Acabaram com tudo aquilo que poderia cheirar a libertação, mas, mesmo com a implantação da neocristandade, o catolicismo murchou. O projeto neoconservador falhou e, com a chegada dele, acelerou-se o encolhimento do catolicismo brasileiro. O tiro parece ter saído pela culatra. Penso que está na hora da Igreja no Brasil fazer uma séria reflexão. Suas lideranças precisam ser honestas com elas mesmas, admitindo que falharam, acelerando, com seus métodos, o decréscimo dos católicos brasileiros. Elas que tinham tanto medo da teologia da libertação, que a demonizaram e combateram, agora amargam o resultado de suas intervenções. Elas, e não a Igreja da libertação, provocaram a crise do catolicismo brasileiro.

Perdeu-se a oportunidade de dar vida a um jeito de ser Igreja, bem mais próximo do Evangelho e da realidade do povo brasileiro. Disso não se pode fugir sem trair a verdade. É preciso que as lideranças admitam isso, se quiserem reverter um pouco a situação atual. Se insistirem em manter o atual sistema eclesiástico, nosso destino será ainda pior do que aquele da velha Europa: uma Igreja infantil, feminil e senil, empoeirada, sem juventude, sem perspectivas, sem vida. Não faltaram os "sinais dos tempos”, mas boa parte dos dirigentes da Igreja Católica preferiu "não interpretar o tempo presente”(Lc 12,56). Teria sido suficiente, por exemplo, levar a sério quanto disse Paulo VI na exortação apostólica Evangelii nuntiandi. Neste documento, elaborado a partir das indicações do Sínodo dos Bispos de 1974 sobre a evangelização no mundo contemporâneo, o papa, como que profeticamente, previa uma série de vias evangelizadoras bem condizentes e necessárias à Igreja de então. Mas, pelo visto, o projeto evangelizador neoconservador que veio em seguida não deu a mínima atenção ao que o pontífice havia indicado.

Paulo VI, partindo da importância do testemunho, destacava a urgência do indispensável contato pessoal, "de pessoa a pessoa” (nº 46). E o contato pessoal não se dá através de uma pastoral de massas, da utilização impessoal da mídia, mas através da multiplicação de redes de pequenas comunidades, nas quais, advertia o papa, as pessoas poderiam preencher o desejo e a busca de relações mais humanas. O papa afirmava, então, o valor das comunidades eclesiais de base, as quais, de modo particular nas grandes metrópoles, poderiam contribuir eficazmente para a superação da massificação e do anonimato (nº 58). Mas o que fez a maioria das lideranças católicas? Preferiu a pastoral das massas, dos rebanhões, dos espetáculos, nos quais, como tem mostrado a sociologia da religião, prevalece o anonimato e a indiferença. As pessoas pulam, gritam, dançam, mas sem preocupação com "o outro”. Pensam apenas nos seus problemas e na satisfação imediata de suas necessidades e carências. A pastoral de massa não humaniza as relações. Congrega, reúne, mas não une e nem alimenta a solidariedade. As lideranças, em sua maioria, preferiram suprimir as comunidades eclesiais de base ou as relegaram a um plano secundário, de modo que se pode afirmar que a existência delas no momento atual é fruto do grande milagre da resistência de algumas pessoas. Enquanto isso, os evangélicos seguiam o caminho inverso, abrindo em cada esquina um pequeno templo nos quais as pessoas se encontram não só para rezar ou cantarolar, mas também para reforçar laços de amizade e de apoio mútuo. O calor humano torna-se, de certo modo, "vínculo da ágape”, mantendo as pessoas unidas na comunidade.
Houve também o desmantelo de outros elementos, apontados por Paulo VI como essenciais para a nova evangelização. Pense-se, por exemplo, no retrocesso que se deu no campo do ecumenismo, do diálogo interreligioso, do diálogo com os não crentes e com os não praticantes. Mas se pense igualmente nos retrocessos internos que levaram as pessoas pensantes e mais conscientes a abandonarem definitivamente a Igreja Católica. Parece-me, pois, que já está na hora da hierarquia no Brasil colocar-se diante das várias perguntas sérias levantadas por tantas pessoas. E, como queria Paulo VI, "dar respostas leais, humildes e corajosas, agindo de consequência” (nº 5). (Texto reduzido)
 
(Partilho este artigo com você, pois penso que suscita elementos importantes para nossa reflexão sobre a relação entre diminuição numérica dos católicas e o projeto de evangelização em curso no Brasil)

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Turma do 4º ano de Teologia do ISTA

Estamos terminando o curso semi-intensivo de Escatologia, com a turma do 4º ano de teologia no ISTA. Levarei boas lembranças deste grupo!