quarta-feira, 16 de julho de 2014

Curso de Mariologia na Espanha

Estive em El Escorial, próximo a Madrid, no final de junho e início de julho.
Colaborei na experiência formativa destinada a maristas que atuam na América Latina.
Espera-se que eles atuem futuramente nas diferentes etapas da formação inicial da Vida Religiosa.
Durante uma semana, refletimos sobre Maria na vida cristã. Um curso de mariologia de 30 horas, que articulou teologia, devoção e questões existenciais. O ponto alto foi a visita ao museu do Prado, onde vimos e comentamos alguns quadros clássicos sobre a Mãe de Jesus.
Parte do material que utilizei foi traduzido em espanhol e estará disponibilizado na rede.
Veja a foto do nosso grupo.

sábado, 24 de maio de 2014

Carta ao Papa Francisco

Compartilho com você a carta aberto de Marcelo Barros, por ocasião da visita do Papa Francisco à Terra Santa e do encontro com o Patriarca de Igreja Ortodoxa.

Querido irmão Francisco,
bispo de Roma e primaz da unidade das Igrejas e
Bartolomeu, patriarca ecumênico de Constantinopla,

 Sou um monge beneditino que procura viver a sua fé como peregrino junto aos empobrecidos da terra.  Dom Helder Camara, bispo que me ordenou padre e foi sempre para mim mestre de vida, me disse antes de morrer: “Não deixe cair a profecia!”. Nesse espírito, tomo a liberdade de lhes escrever essa carta aberta sobre a peregrinação que, nesses dias, vocês fazem à terra de Jesus.

Antes de tudo, lhes agradeço esse gesto profético. Ao retomar o encontro fraterno do papa Paulo VI com o patriarca Atenágoras em Jerusalém, dão um novo sinal de unidade entre as Igrejas do Oriente e a Igreja Latina. Esse novo encontro nos recorda aquela reunião que a tradição chamou de primeiro concilio dos apóstolos de Jesus. Ali, eles decidiram abrir a Igreja aos estrangeiros (At 15). A partir dessa recordação, penso representar grande parte dos cristãos ao lhes agradecer o diálogo simples, humano e amoroso que vocês fazem questão de aprofundar com toda humanidade. Em seu tempo, foi o que viveram, cada um à sua maneira, o papa João XXIII e o patriarca Atenágoras.  

Nesse mesmo espírito, há 50 anos, Paulo VI e Atenágoras fizeram o gesto de revogar as excomunhões recíprocas que ainda existiam entre as Igrejas do Oriente e a Igreja Latina. Desse modo, libertaram as Igrejas de um peso do passado que impedia os cristãos de reconhecer nos irmãos de outras Igrejas a presença do Ressuscitado. Agora, temos de ir além dessa libertação do passado. É preciso a coragem de libertar o futuro. Isso significa não só remover os obstáculos ao diálogo, mas fazer do diálogo a forma permanente do nosso modo de ser Igreja. Se, a partir dessa viagem, os senhores pensassem em escrever e assinar juntos uma mensagem ao mundo  e mesmo, quem sabe, uma encíclica sobre assuntos urgentes como a atual crise ecológica, dariam importante testemunho de unidade no serviço apostólico.

Certamente, vocês vão orar em Belém, junto ao lugar do nascimento de Jesus e em Jerusalém, no Cenáculo e no Santo Sepulcro. Se Belém nos recorda o nascimento, nos fala também da possibilidade de renascer. Esse gesto ecumênico da peregrinação realizada em comum tem o sabor de um renascimento. Retoma a proposta feita pelo papa João XXIII de voltar às fontes da nossa fé. Os cristãos e todas as pessoas de boa vontade esperam muito do Concílio Pan-ortodoxo que as Igrejas do Oriente estão preparando para 2016. Certamente a proposta do papa Francisco de restituir à Igreja Latina um caráter de maior sinodalidade pode colaborar para que esse Concílio seja uma bela e importante ocasião ecumênica e possa ajudar todas as Igrejas a retomar a práxis evangélica dos primeiros séculos do Cristianismo.

Em Jerusalém, o Cenáculo nos recorda a palavra do patriarca Atenágoras: “A única verdadeira teologia que pode guiar as Igrejas é a teologia eucarística”. (...) “O lugar onde não há separação, mas só um amor imenso, é o Cálice eucarístico, no coração de toda a Igreja”.  Seria belo ver o bispo de Roma e o patriarca de Constantinopla lavar os pés um do outro, como testemunho de qual è a fonte do ministério de todos nós, presbíteros e bispos. Um gesto assim indicaria um passo novo no caminho da unidade. Para que essa unidade visível se torne mais efetiva,  é importante que a Igreja Católica supere todas as dificuldades e decida entrar como membro normal e pleno do Conselho Mundial de Igrejas.

Ao orar com os nossos pastores diante do Santo Sepulcro, não podemos esquecer que, durante séculos e mesmo em incidentes recentes, muitas vezes, a pedra do Santo Sepulcro tem sido transformada em pedra de escândalo. O próprio lugar da doação da vida se tornou frequentemente motivo de cruzadas, violências e guerras. Por isso, é urgente uma profecia nova. Mesmo se o sepulcro vazio continua sendo para nós um lugar de testemunho, cremos que Jesus Ressuscitado nos espera não na pedra do sepulcro, mas nas Galileias do mundo. E precisamos encontra-lo na comunhão com as vítimas das violências de hoje. Pensemos concretamente no povo palestino, sob permanente ocupação militar e a cada dia sofrendo novas formas de colonização por parte do Estado de Israel. É importante que, em comunhão com algumas comunidades judias que guardam no coração a paz e a não violência, os pastores cristãos ajudem o mundo a levantar o véu que encobre a realidade terrível e opressora que sofre o povo palestino.

Bendito seja Deus por essa viagem que os torna novos peregrinos de Emaús que voltam a Jerusalém. De todas as Igrejas, muitos cristãos se unem a vocês. Sentimos também o coração queimar dentro do peito ao reconhecer o Ressuscitado nas estradas do mundo. As perguntas que, hoje, como pastores, vocês fazem ao peregrino Ressuscitado interpelam a todos/as nós. O modo como, juntos, interpretam as Escrituras trazem uma luz nova a nossos olhos. Na esperança de repartir com todas as Igrejas o pão da comunhão, oramos juntos com vocês a invocação evangélica: “Senhor, fica conosco, porque já anoitece”.
Na alegria de nossa comunhão, confio-me às suas orações e peço que abençoem o irmão menor Marcelo Barros.                             

sexta-feira, 25 de abril de 2014

A coragem de se alegrar

Trechos de Homilia do Papa Francisco durante a oitava da páscoa.

O Evangelho narra a aparição de Jesus Ressuscitado aos discípulos que, diante da sua saudação de paz, em vez de ficarem loucos de alegria, ficam “cheios de medo”, pois acreditam ter visto “um fantasma”. Cristo trata de fazê-los compreender que é real o que veem, uma realidade tangível: de fato, convida-os a tocarem seu corpo, pede comida e água. O Filho do Senhor deseja transmitir-lhes a alegria da Ressurreição, a alegria da sua presença entre eles. Mas eles pela alegria não acreditaram, não podiam acreditar, porque tinham medo da alegria.
Esta é uma doença dos cristãos. Temos medo da alegria. É melhor pensar: ‘Sim, sim, Deus existe, mas está lá; Jesus ressuscitou, mas está lá’. Um pouco de distância. Temos medo da proximidade de Jesus, porque isso nos dá alegria. E assim se explicam os muitos cristãos de funeral, não? Aos quais parece que a vida é um funeral contínuo. Preferem a tristeza, e não a alegria. Movem-se melhor não na luz da alegria, mas nas sombras, como aqueles animais que só conseguem sair à noite, mas à luz do dia não veem nada. Como os morcegos. E com um pouco de senso de humor, podemos dizer que existem ‘cristãos morcegos’, que preferem as sombras à luz da presença do Senhor”.

Mas Cristo, com a sua Ressurreição nos dá a alegria: a alegria de ser cristãos; a alegria de segui-lo de perto; a alegria de caminhar nas estradas das Bem-aventuranças; a alegria de estar com Ele. E nós tantas vezes ficamos perturbados ou repletos de medo, acreditamos ver um fantasma (..) Você fala com Jesus? Você diz a Ele: ‘Eu acredito que o Senhor está vivo, que ressuscitou, que está perto de mim, que não me abandona’? A vida cristã deve ser isso, um diálogo com Jesus, porque – isso é verdade – Jesus está sempre conosco, está sempre com os nossos problemas, com as nossas dificuldades, com as nossas boas obras.

Quantas vezes os cristãos não somos felizes porque temos medo! Cristãos que foram “derrotados” na Cruz. Na minha terra há um ditado que diz: ‘Quando alguém se queima com leite quente, depois, quando vê uma vaca leiteira, chora’. Estes se queimaram com o drama da cruz e disseram: ‘Não, vamos parar por aqui; Ele está no Céu; mas tudo bem, ressuscitou, mas que não venha outra vez aqui porque não aguentaremos’.

Peçamos ao Senhor que faça com todos nós o que fez com os discípulos, que tinham medo da alegria: que abra a nossa mente e nos faça entender que Ele é uma realidade viva, que Ele tem corpo, que Ele está conosco e nos acompanha e que Ele venceu. Peçamos ao Senhor a graça de não ter medo da alegria.”
Fonte: Vatican Insider, 24-04-2014. Tradução: André Langer. Publicado no Brasil pelo IHU.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Páscoa, simplesmente

Senhor Jesus
Minha força e meu fracasso és tu
Minha herança e minha pobreza
Tu Minha justiça, Jesus.

Minha guerra e minha paz
Minha livre liberdade!
Minha Morte e minha Vida
Tu, Palavra dos meus gritos
Silêncio da minha espera

Testemunho dos meus sonhos
Cruz da minha Cruz!
Causa da minha Amargura
Perdão do meu egoísmo
Crime do meu processo
Juiz do meu pobre pranto
Razão da minha Esperança Tu!

Minha Terra Prometida és tu...
Páscoa da minha Páscoa
Nossa Glória para sempre
Senhor Jesus!

Dom Pedro Casaldáliga

terça-feira, 15 de abril de 2014

Hoje mesmo você estará comigo no Paraíso!” (Lc 23,43)

O teu coração sem portas, sempre aberto,
que fácil é roubar-te o Paraíso!
Ladrões, todos nós,
Depredadores do cosmos, da natureza e da vida,
somente podemos salvar-nos assaltando-te, ó Cristo.
Em nosso “hoje” cotidiano,
Essa Misericórdia que jorra no teu sangue...

O teu suave assobio de Bom Pastor nos chama.
O teu coração reclama, impaciente,
a todos os marginalizados,
a todos os proibidos.

Tu nos conheces bem, e nos consentes.
Irmão de cruz e cúmplice de sonhos,
companheiro de todos os caminhos.
tu que és o Caminho e a Chegada!
(Dom Pedro Casaldáliga)

segunda-feira, 24 de março de 2014

Inovação na Gestão Eclesial da Escola Católica (ANEC)

Conferência proferida no Seminário das Mantenedoras da ANEC (Associação Nacional da Educação Católica). Nova versão, atualizada e ampliada, do material apresentado no Congresso de Gestão Eclesial.


sábado, 15 de fevereiro de 2014

Atitudes básicas dos evangelizadores

Na Carta Apostólica “A alegria do Evangelho”, o Papa Francisco aponta cinco atitudes básicas dos evangelizadores e da comunidade eclesial: tomar a iniciativa (primeirear), envolver-se, acompanhar, frutificar e festejar (EG 24). Veja o texto e reflita com seu grupo.

(1) Ir na frente, tomar a iniciativa (primeirear)
A comunidade missionária experimenta que o Senhor tomou a iniciativa, precedeu-a no amor (cf. 1 Jo 4, 10), e, por isso, ela sabe ir à frente, sabe tomar a iniciativa sem medo, ir ao encontro, procurar os afastados e chegar às encruzilhadas dos caminhos para convidar os excluídos. Vive um desejo inexaurível de oferecer misericórdia, fruto de ter experimentado a misericórdia infinita do Pai e a sua força difusiva. Ousemos um pouco mais no tomar a iniciativa!

(2) Envolver-se
Como consequência, a Igreja sabe «envolver-se». Jesus lavou os pés aos seus discípulos. O Senhor envolve-Se e envolve os seus, pondo-Se de joelhos diante dos outros para os lavar; mas, logo a seguir, diz aos discípulos: «Sereis felizes se o puserdes em prática» (Jo 13, 17). Com obras e gestos, a comunidade missionária entra na vida diária dos outros, encurta as distâncias, abaixa-se – se for necessário – até à humilhação e assume a vida humana, tocando a carne sofredora de Cristo no povo. Os evangelizadores contraem assim o «cheiro de ovelha», e estas escutam a sua voz.

(3) Acompanhar
Em seguida, a comunidade evangelizadora dispõe-se a «acompanhar». Acompanha a humanidade em todos os seus processos, por mais duros e demorados que sejam. Conhece as longas esperas e a suportação apostólica. A evangelização patenteia muita paciência, e evita deter-se a considerar as limitações.

(4) Frutificar
Fiel ao dom do Senhor, a comunidade evangelizador sabe também «frutificar». Ela mantém-se atenta aos frutos, porque o Senhor a quer fecunda. Cuida do trigo e não perde a paz por causa do joio. O semeador, quando vê surgir o joio no meio do trigo, não tem reacções lastimosas ou alarmistas. Encontra o modo para fazer com que a Palavra se encarne numa situação concreta e dê frutos de vida nova, apesar de serem aparentemente imperfeitos ou defeituosos. O discípulo sabe oferecer a vida inteira e jogá-la até ao martírio como testemunho de Jesus Cristo, mas o seu sonho não é estar cheio de inimigos, mas antes que a Palavra seja acolhida e manifeste a sua força libertadora e renovadora.

(5) Festeja
Por fim, a comunidade evangelizadora jubilosa sabe sempre «festejar»: celebra e festeja cada pequena vitória, cada passo em frente na evangelização. No meio desta exigência diária de fazer avançar o bem, a evangelização jubilosa torna-se beleza na liturgia. A Igreja evangeliza e se evangeliza com a beleza da liturgia, que é também celebração da atividade evangelizadora e fonte dum renovado impulso para se dar.
(Fonte: Papa Francisco, Alegria do Evangelho, nº 24)

Para refletir em grupo: Quais atitudes estamos cultivando na evangelização? Qual delas devemos desenvolver?

domingo, 2 de fevereiro de 2014

João Batista Libanio, grande mestre

Faleceu no dia 30 de janeiro de 2014 o Padre João Batista Libanio.
Poderia relatar seu longo currículo de:
- excelente professor de teologia,
- brilhante escritor de inúmeras obras,
- eficiente comunicador,
- disputado orientador de pós-graduandos,
- cativante evangelizador,
- bem-humorado e brincalhão,
- grande intelectual que passeava por distintas áreas do conhecimento,
- pensador que abriu caminhos novos na pastoral e na teologia,
- homem de extraordinária capacidade de síntese,
- místico,
- formador de muitas gerações de leigos, religiosos e presbíteros...

Mas hoje somente quero dizer que ele foi para mim (e continua sendo) o grande mestre, que me introduziu nas sendas de teologia, de maneira fascinante. Ensinou-me a pensar e a escrever, desenvolveu a minha capacidade de comunicação.

A ele, minha gratidão e respeito. Obrigado, mestre Libanio!