segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Mensagem do menino Jesus para as crianças pequenas e grandes

Meus queridos irmãozinhos e irmãzinhas,

Se vocês olhando o presépio e virem lá o Menino Jesus e se encherem de fé de que ele é o Filho de Deus Pai  que se fez um menino, menino qual um de nós e que Ele é o Deus-irmão que está sempre conosco,

Se vocês conseguirem ver nos outros meninos e meninas, especialmente nos pobrezinhos, a presença escondida do Menino Jesus nascendo dentro deles,

Se vocês fizerem renascer a criança escondida nos seus pais e nas pessoas adultas para que surja nelas o amor, a ternura, o carinho, o cuidado e a amizade  no lugar de muitos presentes,

Se vocês ao olharem para o presépio descobrirem Jesus pobremente vestido, quase nu e lembrarem de tantas crianças igualmente pobres e mal vestidas e sofrerem no fundo do coração por esta situação desumana e se decidirem já agora, quando grandes, mudar estas coisas para que nunca mais haja crianças chorando de fome e de frio,

Se vocês repararem nos três reis magos com os presentes para o Menino Jesus e pensarem que até os reis, os grandes deste mundo e os sábios reconheceram a grandeza escondida desse pequeno Menino que choraminga em cima das palhinhas,

Se vocês, ao verem no presépio todos aqueles animais, como as ovelhas, o boi e a vaquinha pensarem que o universo inteiro é também iluminado pelo Menino Jesus e que todos, galáxias, estrelas, sois, a Terra  e outros seres da natureza e nós mesmos formamos a grande Casa de Deus,

Se vocês olharem para o alto e virem a a estrela com sua cauda e recordarem que sempre há uma Estrela como a de Belém sobre vocês,  iluminando-os e mostrando-lhes os melhores caminhos,

Se vocês  aguçarem bem os ouvidos e escutarem a partir dos sentidos interiores, uma música celestial como aquela dos anjos nos campos de Belém que anunciavam paz na terra,

Então saibam que sou eu, o Menino Jesus, que  está chegando de novo e renovando o Natal. Estarei sempre perto de vocês, caminhando com vocês, chorando com vocês e brincando com vocês até aquele dia em que chegaremos todos, humanidade e universo, à Casa do Pai e Mãe de infinita bondade para sermos juntos eternamente felizes como uma grande família reunida.

                                    Belém, 25 de dezembro do ano 1.
                                    Assinado: Menino Jesus

(Autoria: Leonardo Boff)

domingo, 22 de dezembro de 2013

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

11/12/13

Os números tem sua magia. Hoje, 11/12/13 me inspira um caminho a fazer: processos, aprendizagem e conquistas. Passos após passos.

Aqui em Bogotá, estou num encontro de 12 pessoas, em torno da articulação entre fé e ecologia, mística e sustentabilidade, seguimento a Jesus e “Bem Viver”.

Somos de diferentes áreas de conhecimento: biologia, engenharia, educação, ecologia e teologia. Mais do que olhares transdisciplinares, buscamos uma visão sinérgica. Simultaneamente holística em sua pretensão e incompleta em sua realização.

Buscamos fazer uma ponte entre realidades geograficamente distantes, do Brasil e da Colombia. A tarefa de elaborar um livro de ecoteologia latino-americana nos desafia e nos encanta.

Na mente e no coração trazemos elementos da experiência vivida comunitariamente ontem: andar de ônibus e provas os avanços de mobilidade urbana, visitar o “Parque entre nuvens” e conhecer algumas plantas do ecossistema locail, caminhar pelo bairro popular Diana Turbai, conversar com a coordenação de “casitas bíblicas” e saber de sua bela história, escutar o testemunho de luta em defesa do rio fu-chi, revistar as hortas urbanas, compartilhar do alimento e da esperança que nos une.

Que o Deus da vida nos inspire e nos guie, para este serviço à Jesus e ao seu Reino, no horizonte do Bem-Viver! Amém.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Inovação na gestão eclesial

Partilho com você o tema que apresento no 9º Congresso de Gestão Eclesial.


sexta-feira, 4 de outubro de 2013

A fé cristã na sociedade plural e secular (Juan Luis Segundo)

Partilho com você outro material que utilizei no Seminário sobre Juan Luis Segundo durante o Simpósio Internacional promovido pela FAJE e PUC Minas, com o tema "Secularização, Religião e Sociedade".

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Juan Luis Segundo e a sociedade plural e secular (1)

Caros amigos(as)
Partilho com vocês a primeira apresentação durante o seminário "Libertação da Teologia em Juan Luis Segundo, frente a ambiguidade da religião", no Simpósio Internacional da FAJE e PUC Minas, acerca de "Secularização, Religião e Sociedade".



sábado, 28 de setembro de 2013

Espiritualidade (para educadores e gestores de escolas)

Estive em Porto Alegre, com o grupo do PEM (Patrimônio e Espiritualidade Maristas) da província do Rio Grande do Sul (foto abaixo). No dia seguinte, em Vargem Grande Paulista (SP), com aproximadamente 120 educadores(as) da Rede de Educação Reducar, fundada por Madre Rossella. Com ambos refleti sobre Espiritualidade e Educação. Em cada ambiente, elementos locais nos ajudaram a entrar na "beleza sempre antiga e sempre nova" da intimidade com Deus e do compromisso com a causa de Jesus. Em Porto Alegre, a aventura na Ponte Pencil, e em São Paulo, o encanto do parque infantil. Sem contar a surpresa da vaquinha ciumenta com os seus filhotes.
Para conhecer o material, acesse: http://www.slideshare.net/AfonsoMurad/espiritualidade-e-educao-olhar-do-telogo-13704162

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Corações gelados (Francisco e os políticos)

Transcrevo aqui uma parte do artigo do articulista Clovis Rossi, publicado na Folha on-line. Texto breve e interpelativo.
Visito a revolucionária entrevista que o papa Francisco concedeu à revista dos jesuítas. Não para tratar dos assuntos ligados à igreja, que já foram bem analisados, mas para falar de política. O papa, na sua crítica ao desempenho dos religiosos, acabou traçando um retrato muito bem acabado dos políticos contemporâneos.
O que Francisco disse dos clérigos serve à perfeição para os políticos: "O povo de Deus necessita de pastores e não funcionários, clérigos de escritório". O povo de qualquer Deus e também o povo sem Deus necessita de políticos que sejam guias de verdade e não se escondam, como fazem os políticos de hoje em dia, em seus gabinetes hiperprotegidos. "Os ministros do Evangelho", continuou o papa, "devem ser pessoas capazes de aquecer o coração das pessoas, de caminhar com elas pela noite, de saber dialogar e inclusive descer à noite de cada um, à sua escuridão, sem se perder".
Vale para os ministros do Evangelho como vale também para os ministros de qualquer governo da face da Terra, para os governantes em geral, para parlamentares, para qualquer dirigente político que queira ser digno desse nome. Existem hoje políticos que aqueçam corações? Não os vejo em parte alguma. Basta pensar na política que é o grande sucesso eleitoral, a alemã Angela Merkel. Foi re-reeleita, é verdade, mas quer dizer com isso que aquece corações? Não, testemunha a revista "Der Spiegel": "Ela tem sido sempre mais uma mediadora qualificada do que uma líder", analisou a revista, mesmo após o espetacular resultado eleitoral da chanceler (..).
O bom pastor - e o bom político- não precisa apenas aquecer corações, mas, sempre segundo o papa, deve ser parte de uma igreja que "encontre caminhos novos, capaz de sair de si mesma e ir ao encontro do que não a frequenta, daquele que se foi". Quem, no mundo, está propondo caminhos novos de verdade? Reina tamanha mesmice! (..)
Desconfio que há muito mais fiéis que se afastaram da política do que da igreja. Pena que, na política, não haja um sumo sacerdote capaz de dizer que os reis estão nus.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Papa Francisco não insistirá em questões de moral sexual

O papa Francisco afirmou que a Igreja Católica se tornou "obcecada" com a pregação contra o aborto, o casamento gay e a contracepção. Ele escolheu deliberadamente não falar sobre esses assuntos por entender que a Igreja deve ser uma "casa para todos", e não uma "pequena capela" focada na doutrina, na ortodoxia e em uma agenda limitada de ensinamentos morais. As declarações foram dadas em uma entrevista concedida ao jornal jesuíta "La Civiltà Cattolica". "Não podemos insistir apenas em assuntos relacionados ao aborto, ao casamento gay e ao uso de métodos contraceptivos. Isso não é possível", disse o papa.

Francisco admitiu que sofre críticas por evitar tratar desses temas: "Eu não falei muito sobre essas coisas, e fui repreendido por isso. Mas, quando tratamos sobre essas questões, temos situá-las em um contexto. O ensinamento da igreja quanto a isso é claro, e eu sou um filho da igreja. Mas não é necessário falar sobre esses assuntos o tempo inteiro", acrescentou.
O papa disse ainda que "os ensinamentos dogmáticos e morais da igreja não são todos equivalentes" e que o ministério pastoral não deve ser "obcecado" com a transmissão de "doutrinas desarticuladas que se tenta impor de forma insistente". "Precisamos encontrar um novo equilíbrio, senão até mesmo o edifício moral da igreja corre o risco de cair como um castelo de cartas, perdendo o frescor e a fragrância do Evangelho", disse. "A proposta do Evangelho tem que ser simples, profunda, radiante. É dessa proposta que as consequências morais então fluem".

Francisco afirmou ainda que a igreja deve ajudar a curar "todo o tipo de doença ou ferida". Ele contou que, quando ainda estava em Buenos Aires, costumava receber cartas de homossexuais que estavam "feridos socialmente" e que diziam sentir que a igreja sempre os condenava. "Mas a igreja não quer isso. Durante meu voo de volta do Rio de Janeiro [após a Jornada Mundial da Juventude, em julho deste ano], eu disse que, se um homossexual tem boa vontade e está em busca de Deus, eu não estou em posição de julgá-lo. A religião tem o direito de expressar sua opinião a serviço das pessoas, mas, na criação, Deus nos fez livres. Não é possível interferir espiritualmente na vida de uma pessoa".

Resumido de: Folha on-line, 19 setembro 2013

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

A Igreja deve se profissionalizar?

A Igreja, comunidade dos seguidores de Jesus, Povo de Deus a caminho do Reino definitivo, está em constante contato com as sociedades onde se insere. Ao anunciar o Evangelho de Jesus, sua razão de ser, necessariamente assume formas de organização, linguagens, recursos e elementos da mentalidade que circula no ambiente. Isso faz parte da dimensão encarnatória da própria fé. De outro lado, a partir do próprio evangelho, a Igreja e os cristãos questionam os elementos tomados da cultura e mostram que Jesus Cristo traz um “mais”. Ele ilumina e chama à conversão a todas as realidades humanas. Assim, simultaneamente, assumem-se elementos do nosso tempo, mas também se apontam seus limites.
A profissionalização é uma tendência crescente no mundo contemporâneo. Ela se contrapõe ao amadorismo, à forma “caseira” pensar e atuar, a uma visão estática do trabalho, como acúmulo de rotinas. O profissionalismo inclui vários fatores tais como: domínio e desenvolvimento de saberes específicos e a adoção de tecnologias correspondentes; especialização crescente; busca de “qualidade” para responder às demandas humanas; formação permanente das pessoas, e ética profissional. Vários aspectos da profissionalização se aplicam aos voluntários, pessoas que gratuitamente dedicam tempo e energia a causas humanistas e religiosas. E, na verdade, a grande parte dos processos de evangelização é realizada por voluntários.
Aqui não estamos pensando especificamente nas instituições católicas de prestação de serviços, como escolas privadas, hospitais e rádios. Embora tenham elementos em comum com paróquias e diocese, os princípios da profissionalização tem diferentes consequências. Neste artigo abordaremos cinco elementos positivos da profissionalização que trazem diferenciais às paróquias, institutos religiosos e dioceses: foco nos destinatários, visão estratégica, relação com fornecedores e prestadores de serviço, gestão de pessoas e estruturas organizacionais.

1. Foco nos seus destinatários. As organizações pouco profissionais tendem a atender mais aos interesses de seus membros do que as necessidades de seu público-alvo.  Podem degenerar-se em corporativismo, terrível doença social que contamina os políticos e boa parte dos funcionários comissionados de organizações públicas. Já as organizações profissionais sempre se perguntam: “o que devemos fazer para que nossos destinatários encontrem aquilo que procuram?” “Como melhorar os processos, para sermos fiéis à nossa missão?” Tais perguntas estão na base da busca constante de qualidade. Esta exige o exercício da sensibilidade para olhar o outro, e não a si próprio.
Paróquias e dioceses cresceriam muito em qualidade se levassem este princípio mais a sério. A Igreja e suas estruturas existem em função das pessoas e da sociedade a ser evangelizada, e não de si própria e de suas lideranças. Tomemos um exemplo simples: o horário de atendimento das secretarias paroquiais. Em grande parte do Brasil, as paróquias atendem ao público de 2ª a 6ª feira, no horário comercial. Algumas ainda fazem “o favor” de abrir suas portas no sábado de manhã. Ora, um contingente enorme de católicos trabalha fora de casa e quando busca a secretaria paroquial, ela está fechada. Por que acontece isso? Parece que o pároco e sua equipe estipulam o horário de atendimento em função de si mesmos, e não dos seus destinatários. Neste sentido, várias paróquias tem alterado tal rotina, modificando o horário de atendimento conforme a demanda da população local. Algumas trocam as manhãs pelas noites, outras incluem o sábado e até domingo de manhã para o atendimento e fazem sua pausa semanal na  2ª feira.

2. Visão estratégica.   O exercício do pensamento estratégico comporta um longo trajeto, que se inicia com a definição consensual a respeito da missão da instituição, dos valores que a regem e do que ela deseja conquistar num prazo determinado (visão de futuro). A seguir, estabelecem-se as estratégias e a iniciativas que farão a mediação entre o sonho e a realização. Por fim, nomeiam-se as pessoas responsáveis e definem-se os indicadores para avaliação.
O plano estratégico pode ser estéril, se faltar conexão com a realidade. Algumas paróquias e dioceses tem belos planos de pastoral, que são “pseudo-estratégicos”: bem formulados, bonitos, mas pouco ousados e desarticulados. Não se especificam as pessoas responsáveis, os prazos, os custos. Não há monitoramento da execução. Deste jeito, o plano se torna ineficaz.
Contrapõe-se à visão estratégica: o imediatismo (agir pensando somente em curto prazo), a anarquia (não ter princípios de ação),  a reatividade (reage-se diante dos problemas, em vez de se antecipar a eles) e a simples repetição de práticas. E há igrejas locais que primam pela repetição. A fidelidade ao passado, tão necessária, não se equilibra com a visão de futuro.
 “Estratégia” é um termo proveniente da arte da guerra. Um plano estratégico é arrojado e criativo. Desperta as pessoas para moverem-se e buscarem resultados efetivos. Exige desapego para abandonar certas práticas e adotar outros. Ser estratégico é mais do que fazer um plano. Exige uma visão de Igreja e de sociedade, para compreender onde a instituição está inserida e como responde ou não às oportunidades e ameaças do cenário atual, em relação aos seus destinatários e à sua missão. Quando a estratégia é esmiuçada, vem com ela o gerenciamento, a liderança nos processos e o monitoramento.

3. Relação correta com fornecedores e prestadores de serviços. Toda instituição complexa, que atende a um grande público em diferentes frentes, necessita de política clara em relação aos seus fornecedores. Chamam-se de “fornecedores” às pessoas físicas ou jurídicas que fornecem os insumos e serviços básicos necessários para o funcionamento da organização. Uma paróquia urbana de porte médio tem vários fornecedores: a companhia de eletricidade, de água, de telefonia e internet; a empresa que vende os computadores e os programas utilizados para controle contábil, emissão de planilhas e documentação; a padaria, a mercearia ou o supermercado; o mecânico do carro e o eletricista; a loja de material construção; a empresa que fornece móveis; quem vende hóstia, vinho e material litúrgico; a gráfica ou editora, a fornecedora de papéis e material de escritório. Paróquias e dioceses também recorrem aos prestadores de serviços, que são um tipo específico de fornecedores. Estes não somente vendem um produto, mas realizam algo, a partir de sua especialidade. Por exemplo, um escritório de contabilidade, a assessoria jurídica, a cooperativa ou empresa de construção e reformas. Ou ainda as organizações especializadas em infraestrutura de grandes eventos (som, alimentação, segurança, transporte) ou a empresa que aluga os ônibus para as romarias.
Certa vez, numa paróquia em região de beira mar, ampliou-se o salão paroquial. Para realizar a cobertura do teto, o padre escolheu a empresa de um paroquiano tido como “muito católico”, com quem costumava jantar nas noites de domingo. Não fez um contrato profissional, no qual se especifica o tipo de telha, o tempo de garantia do material, a qualidade de resistência à umidade e maresia, o tipo e espessura da madeira, etc. Tudo foi realizado “na base da confiança”, pois o homem era um bom católico (e amigo do padre, naturalmente). Dois anos depois de concluído o serviço, o telhado já apresentava problemas estruturais. E não havia como reclamar, pois não havia contrato formal. O barato saiu caro!
É preciso lidar com profissionalismo em tudo o que diz respeito à relação com fornecedores e prestadores de serviços. Os preços negociados, as condições e a especificação do serviço a ser oferecido não podem ser algo caseiro e sem contrato. Tal procedimento funciona somente em comunidades rurais e ou cidades pequenas, onde reina a informalidade. O que parece ser vantajoso, com o tempo se revela desastroso. Deve-se optar pelos serviços e produtos que tenham a melhor relação custo x benefício. Por vezes, é necessário também rever contratos antigos, que apresentam condições desfavoráveis, como o fornecimento de eletricidade e de telecomunicações. Em outros casos, mudar de fornecedor. Para grandes compras ou obras de construção e reforma, aconselha-se fazer três orçamentos. Em condições semelhantes, pode-se optar pelo fornecedor que seja católico, participante da comunidade. Mas o critério básico deve ser o binômio “qualidade – preço” e não a amizade particular entre os líderes da Igreja e os fornecedores. Convém que o padre não atue sozinho. Somente uma boa equipe de gestão econômico-financeiro, com leigos qualificados, tem condições de realizar a contento tal tarefa, sem se deixar enganar por fornecedores desonestos ou incompetentes.

4. Processos de gestão de pessoas.  As organizações profissionais descobriram que “a riqueza que mais produz riqueza são as pessoas”, e não o patrimônio material de terrenos, prédios, salas e salões. Patrimônio material pode ser comprado ou alugado. Se não for utilizado bem, transforma-se em custo, devido à depreciação. As pessoas, por sua vez, geram bens intangíveis. Escolher profissionais e voluntários com experiência, conhecimento, habilidades e sintonia com os valores da instituição se tornou tarefa prioritária em grandes organizações do mundo. Por isso, elas desenvolveram acurados processos de seleção, preparação, monitoramento, avaliação, formação continuada e aprimoramento das pessoas. E, nas grande empresas, isto não acontece por causa de uma postura humanizadora, e sim porque dá retorno econômico. Ora, a Igreja, por causa dos valores espirituais que a guiam, deveria ser um exemplo de gestão de pessoas na sociedade. Mas estamos muito distantes deste ideal. Porque?
Concebe-se que “investimento” significa usar o dinheiro em patrimônio material, sobretudo em construções. Investir em pessoas soa como “custo”, “dinheiro jogado fora”. É claro que se deve investir em construções, mas de forma coerente com o projeto evangelizador. Soa como desequilíbrio na gestão o fato de construir muitas salas para catequese e não investir em formação das catequistas. As paróquias e dioceses precisam implementar e aperfeiçoar os processos de formação de seus profissionais (como secretárias paroquiais, atendentes, pessoal administrativo) e lideranças voluntárias (catequistas, coordenadores de pastorais e ministérios, comunicadores, coordenadores, etc). Por exemplo, coordenadores de catequese de paróquias e dioceses precisam estar munidos de formação bíblico-teológica básica, aprimorar suas habilidades em lideranças de pessoas e processos, estudar sobre as mudanças culturais que estão acontecendo nas infâncias e nas juventudes, e conhecer as novas linguagens em educação.  Cabe às paróquias e dioceses investir nesta formação, de forma profissional, inclusive conferindo certificados de conclusão validados em instituições superiores de ensino.
Uma questão elementar referente à gestão de pessoas diz respeito ao tempo de permanência de alguém em funções de coordenação. Ao se instalar em determinada função por longo período, tende-se a criar seu espaço de domínio e impede o desenvolvimento de novas lideranças. Para reduzir este problema, uma paróquia criou o seguinte procedimento: qualquer coordenador ocupa sua função por 3 anos. Pode ser reeleito por mais dois anos, e neste segundo mandato já deve estar acompanhado de alguém que vai substituí-lo. Deve-se buscar formas para garantir rodízio das lideranças e um exercício saudável do poder.

5. Modelo de gestão eficaz.  As organizações atuais perceberam que estruturas rígidas, verticalizadas e concentradoras de poder podem leva-las a um estado de inércia e lento desaparecimento. No passado, era comum encontrar empresas que tinham cinco ou mais níveis hierárquicos e na qual predominava a estrutura funcional de subordinação vertical. O chefe mandava, os subordinados obedeciam. Hoje, exercitam-se diversas formas de estruturas. Combinam-se modelos funcionais com os matriciais. Criam-se grupos de trabalho para realizar determinadas tarefas e projetos. Favorece-se mais o controle sobre os resultados do que sobre as rotinas. A sociedade é tão complicada e há tantos fatores que interferem nos processos, que é impossível esperar que o sucesso ou o fracasso de uma instituição esteja sob a responsabilidade de uma pessoa. Por isso, palavras como “empoderamento” e “gestão compartilhada” não são simplesmente jargões do momento. Elas traduzem uma tendência crescente na sociedade: trabalhar efetivamente em equipes de alto desempenho para somar os saberes e as habilidades, dividir as responsabilidades, multiplicar as possibilidades de resposta, reduzir os erros. A Igreja católica precisa aprender essa lição das organizações profissionais: estruturas leves, flexíveis, cooperativas e ágeis, a serviço da missão. Com isso, não se perde a autoridade conquistada. Ela assume outro perfil.
As características acima propostas visam estimular as paróquias e dioceses a adotarem uma forma de atuar que lhes possibilite responder mais adequadamente aos imensos desafios de evangelizar em sociedades urbanas. Não se trata de fórmulas prontas, nem de leis férreas. Devem ser utilizadas com bom senso, de acordo com as realidades locais. Constituem parte de um imenso e belo mosaico. Por isso, não devem ser absolutizadas. Mais ainda. Os traços profissionais da gestão eclesial devem ser articulados com os valores do Evangelho, com uma espiritualidade antenada nos Sinais dos Tempos e enraizada em Jesus. O olhar da fé não somente assume, mas também critica os limites de uma visão meramente profissional da evangelização. Esse será o tema do nosso próximo artigo.
Afonso Murad

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Servir, acompanhar e defender os pobres (Mensagem do Papa Francisco)

O Papa Francisco visitou no dia 10 de setembro o Centro dos jesuítas para os refugiados na Itália. Chegou ao refeitório no horário da refeição quente. Saudou os refugiados e falou com eles. Aproximadamente 500 pessoas acolheram o Papa. Inicialmente, saudou sobretudo os refugiados e refugiadas, agradecendo os testemunhos que havia acabado de escutar, ressaltando que “cada um de vocês traz uma história que nos fala de dramas de guerra, de conflitos, muitas vezes ligados à políticas internacionais. Mas cada um de vocês traz consigo – sobretudo – uma riqueza humana e religiosa, uma riqueza a ser acolhida, não para ter medo (..) Muitos de vocês são muçulmanos, de outras religiões, vêm de diversos países, de situações diferentes (..) Não devemos ter medo das diferenças. Vivamos a fraternidade”.

Francisco ressaltou que “a acolhida e a fraternidade podem abrir uma janela para o futuro”. E ressaltou “o quanto é bonito” que junto aos religiosos existam homens e mulheres cristãos, não-crentes e pessoas de outras religiões que trabalham pelo bem comum. “Para nós cristãos isto é a expressão do amor do Pai em Cristo Jesus”. Francisco resumiu então, em três palavras o programa de trabalho dos consagrados(as) e seus colaboradores: Servir, acompanhar e defender.

Ao explicar o significado de servir, o Papa disse que é acolher a pessoa que chega com atenção, curvando-se sobre quem tem necessidade, estendendo-lhe a mão, sem cálculos, sem temor, com ternura e compreensão, como Jesus inclinou-se e lavou os pés dos apóstolos: “O pobres são também mestres privilegiados do nosso conhecimento de Deus; a sua fragilidade e simplicidade desmascaram os nossos egoísmos, as nossas falsas seguranças, as nossas pretensões de auto-suficiência e nos guiam à experiência da proximidade e da ternura de Deus, a receber na nossa vida o seu amor, a sua misericórdia de Pai que, com discrição e paciente confiança, cuida de nós, de todos nós”.

Ao deter-se no segundo ponto, acompanhar, Francisco destacou a evolução no caminho do Centro, que passou de uma primeira acolhida ao acompanhamento das pessoas e inserção social:n“Não basta dar o pão se não vem acompanhado da possibilidade de aprender a caminhar com as própriaspernas. A caridade que deixa o pobre assim como é, não é suficiente. A misericórdia verdadeira, aquela que Deus nos dá e nos ensina, pede a justiça, pede que o pobre encontre o caminho para não ser como tal. Pede – e pede a nós Igreja, a nós cidade de Roma, às Instituições – que ninguém deva mais ter necessidade de uma refeição, de um alojamento por sorte, de um serviço de assistência legal, para ter reconhecido o próprio direito a viver e trabalhar e ser pessoa em plenitude. Isto é integração”.

Francisco disse que servir e acompanhar, quer dizer também defender, o terceiro ponto da sua reflexão. E ressaltou, que para a Igreja “é importante que a acolhida do pobre, a promoção da justiça, não seja confiado somente a ‘especialistas’, mas seja uma atenção de toda a pastoral, da formação dos futuros sacerdotes e religiosos, do compromisso normal de todas as paróquias, movimentos e agregações eclesiais: “Em particular gostaria de convidar também os Institutos religiosos a ler seriamente e com responsabilidade este sinal dos tempos. O Senhor chama a viver com mais coragem e generosidade a acolhida nas comunidades, nas casas, nos conventos vazios. Caríssimos religiosos e religiosas, os conventos vazios não servem à Igreja para transformar-lhes em albergues e ganhar algum dinheiro. Os conventos vazios não são nossos, são para a carne de Cristo que são os refugiados. O Senhor chama a viver com generosidade e coragem a acolhida nos conventos vazios”.
Francisco acrescentou que devemos “superar a mundanidade espiritual para sermos próximos às pessoas simples e sobretudo aos homens. Temos necessidade de comunidades solidárias que vivam o amor de forma concreta”.
Fonte: Rádio Vaticano (10-09-2013) e Site do IHU – Unisinos (texto resumido).

Aprender a pensar

Compartilho com você este material didático que utilizo com meus alunos. Ele faz parte da série: "Introdução à Vida Intelectual".

Acesse: http://www.slideshare.net/AfonsoMurad/3-aprender-a-pensar


terça-feira, 27 de agosto de 2013

Turma de Escatologia ISTA 2013

Para guardar na memória e cultivar boas recordações, duas fotos da turma de Escatologia do curso de graduação em Teologia do ISTA (Instituto Santo Tomás de Aquino) de Belo Horizonte, ano 2013.

sábado, 3 de agosto de 2013

O legado do Papa Francisco no Brasil

Partilho com você este artigo de Leonardo Boff, que expressa em grande parte a minha percepção sobre a vinda de Francisco ao Brasil.

Não é fácil em poucas palavras resumir os pontos relevantes das intervenções do Papa Francisco no Brasil. Enfatizo alguns com o risco de omitir outros importantes.
O legado maior foi a figura do Papa Francisco: um humilde servidor da fé, despojado de todo aparato, tocando e deixando-se tocar, falando a linguagem dos jovens e as verdades com sinceridade. Representou o mais nobre dos líderes, o líder servidor que não faz referência a si mesmo, mas aos outros, com carinho e cuidado, evocando esperança e confiança no futuro.
No campo político encontrou um país conturbado pelas multitudinárias manifestações dos jovens. Defendeu sua utopia e o direito de serem ouvidos. Apresentou uma visão humanística na política na economia e na erradicação da pobreza. Criticou duramente um sistema financeiro que descarta os dois pólos: os idosos porque não produzem e os jovens não criando-lhes postos de trabalho. Os idosos deixam de repassar sua experiência e os jovens são privados de construir o futuro. Uma sociedade assim pode desabar.

O tema da ética era recorrente, fundada na dignidade transcendente da pessoa. Com referência à democracia cunhou a expressão “humildade social” que é falar olho a olho, entre iguais e não de cima para baixo. Entre a indiferença egoista e o protesto violento apontou uma opção sempre possível: o diálogo construtivo. Três categorias sempre voltavam: o diálogo como mediação para os conflitos, a proximidade para com as pessoas para além de todas as burocracias e a cultura do encontro. Todos tem algo a dar e algo a receber. “Hoje ou se aposta na cultura do encontro ou todos perdem”.

No campo religioso, Francisco foi mais fecundo e direto. Reconheceu que ”jovens perderam a fé na Igreja e até mesmo em Deus pela incoerência de cristãos e de ministros do evangelho”. O discurso mais severo reservou-o para os bispos e cardeais latinoamericanos (CELAM). Reconheceu que a Igreja, e ele mesmo se incluíu, está atrasada com referência à reforma das estruturas da Igreja. Conclamou não apenas a abrir as portas para todos, mas a sairem em direção do mundo e para as “periferias existenciais”. Criticou a “psicologia principesca” de membros da hierarquia. Eles tem que ser pobres interior e exteriormente. Dois eixos devem estruturar a pastoral: a proximidade do povo, para além das preocupações organizativas e o encontro marcado de carinho e ternura. Fala até da necessária “revolução da ternura” coisa que ele mostrou viver pessoalmente. Entende a Igreja como mãe que abraça, acaricia e beija. Essa atitude materna os pastores devem cultivar para com os fiéis. A Igreja não pode ser controladora e administradora mas servidora e facilitadora. Enfaticamente afirma que a posição do pastor não é a posição do centro mas a das periferias. Esta afirmação é de se notar: a posição do bispos deve ser “ou à frente para indicar o caminho, ou no meio para mantê-lo unido e neutralizar as debandadas, ou então atrás para evitar que alguém se desgarre” e dar-se conta de que “o próprio rebanho tem o seu olfato para encontrar novos caminhos”. Ademais, deu centralidade aos leigos para junto com os pastores decidirem os caminhos da comunidade.          
O diálogo com o mundo moderno e a diversidade religiosa: o Papa Francisco não mostrou nenhum medo face ao mundo moderno; quer trocar e inserir-se num profundo sentido de solidariedade para com os privados de comida e de educação. Todas as confissões devem trabalhar juntas em favor das vítimas. Pouco importa se o atendimento é feito por um cristão, judeu, muçulmano ou outro. O decisivo é que e o pobre tenha acesso à comida e à educação. Nenhuma confissão pode  dormir tranquila enquanto os deserdados deste mundo estiverem gritando. Aqui vige um ecumenismo de missão, todos juntos, a serviço dos outros.

Aos jovens, Francisco dedicou palavras de entusiasmo e de esperança. Contra uma cultura do consumismo e da desumanização convocou-os a serem “revolucionários” e  “rebeldes”. É pela janela dos jovens que entra o futuro. Criticou o restauracionismo de alguns grupos e o utopismo de outros. Colocou o acento no hoje:”no hoje se joga a vida eterna”. Sempre os desafiou para o entusiasmo, para a criatividade e para irem pelo mundo espalhando a mensagem generosa e humanitaria de Jesus, o Deus que realizou a proximidade e marcou encontro com os seres humanos.
Na celebração final havia mais de três milhões de pessoas, alegres, festivas e na mais absoluta ordem. Desceu um aura de benquerença, de paz e de felicidade sobre o Rio de Janeiro e sobre o Brasil que só podia ser a irradiação do terno e fraterno  Papa Francisco e do Sentimento Divino que soube transmitir. (Fonte: http://leonardoboff.wordpress.com/)

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Manifesto da Educação Católica à nação brasileira

Partilho com você esta "carta aberta" do recente Congresso da ANEC.

A partir do lema central do nosso II Congresso Nacional de Educação Católica, “Uma outra escola é possível!”, as educadoras e os educadores das escolas católicas de todo o Brasil, reunidos, buscam avaliar o momento histórico pelo qual passamos.
Vivemos um momento nacional de inúmeras manifestações nas ruas. Milhares e milhares de pessoas estão expressando suas opiniões, expressando seus sentimentos, participando com cidadania, reivindicando por aquilo que deve melhorar, especialmente saúde e educação. Talvez essa explosão de manifestações também esteja ocorrendo porque muitas vozes foram abafadas, muitas experiências não foram valorizadas, muitos esforços não foram reconhecidos. Perguntamos então, quantas vezes, nestes últimos anos, as autoridades da nação têm reconhecido e mencionado sobre o serviço de qualidade que as escolas e as universidades católicas prestam ao país? Como o Estado brasileiro está tratando a Educação Católica? Quando e onde os educadores e gestores da Educação Católica estão sendo ouvidos? Como a Educação Católica de qualidade e voltada para os valores essenciais da cidadania está inspirando o conjunto da Educação brasileira?  

Há mais de 500 anos, a Igreja Católica tem se dedicado à Educação no Brasil. Milhares de educadores, movidos pela fé, trabalharam e trabalham com intrépida coragem para educar e ensinar, ajudando o Brasil a ser melhor e a se construir como Nação. Estamos, pois, alicerçados na grande tradição da Educação Católica, edificada por muitas gerações. Por isso, podemos olhar com altivez e com criatividade para o futuro, sonhando e construindo “uma outra escola”, nascida da reavaliação do modo de ensinar e da percepção sobre as novas exigências e desafios do século XXI.
Hoje, a Educação Católica está presente em mais de 900 municípios brasileiros, em todos os Estados da Federação, com aproximadamente 2.100 colégios, 132 Instituições de Ensino Superior, 430 entidades mantenedoras e quase 100 mil professores e funcionários. A Educação Católica cuida diariamente do futuro de 2.300.000 crianças, jovens e adultos, que estudam em nossas Instituições.
Sonhamos, lutamos e trabalhamos por uma Educação mais justa e inclusiva. Desejamos que os recursos públicos sejam destinados a todos, sobretudo aos mais pobres, onde quer que estudem, numa escola pública ou particular. Enfatizamos que uma ampla avaliação sobre o desempenho das escolas e universidades também deve considerar a formação para a cidadania e os valores. Defendemos que os cursos de licenciatura sejam subsidiados pelo Estado a fim de que tenham novo impulso e viabilidade. Mas, mais do que tudo, desejamos ser ouvidos e reconhecidos como parceiros de um esforço que deve ser de todos, no sentido da universalização do acesso e da qualidade no processo educacional brasileiro. Não iremos mais aceitar o papel de meros executores de demandas e políticas oriundas do Estado. Queremos, antes de tudo, respeito, diálogo, reflexão e comunhão de princípios e de valores.
Sim, uma outra escola é possível! Uma nova Educação é possível! E a Educação Católica, no Brasil, deseja sinalizar e testemunhar esta possibilidade.

A ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE EDUCAÇÃO CATÓLICA DO BRASIL - ANEC por ocasião da realização do seu II Congresso Nacional de Educação Católica, Goiânia, em 10/07/2013
Fonte: http://congresso.anec.org.br/wp-content/uploads/2013/07/MANIFESTO-DA-EDUCAÇÃO-CATÓLICA.pdf

sábado, 22 de junho de 2013

Jesus, nosso mestre e Senhor

Partilho com você esta apresentação sobre Jesus, a partir da bela música de Frei Fabreti, que utilizo com jovens e adultos.

Basta acessar o link abaixo.
http://www.slideshare.net/AfonsoMurad/jesus-nosso-mestre-e-senhor

domingo, 16 de junho de 2013

TURMA DE INTRODUÇÃO À TEOLOGIA ISTA 2013

Turma com espírito de aprendiz, da qual vou levar boas lembranças!
Alunos(as) do primeiro ano de teologia do ISTA, em Belo Horizonte, da disciplina "Introdução à Teologia".

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Boa recordação (1)

Esta é a turma da Pós-graduação em Teologia da FAJE (Faculdade Jesuíta) em Belo Horizonte. Trabalhamos neste semestre com a disciplina "Metodologia e Pesquisa em Teologia".

sexta-feira, 31 de maio de 2013

A Vida Religiosa na evangelização da América Latina

A partir de dois artigos, publicados respectivamente na revista Convergência (Brasil) e na revista da CLAR (Bogotá), enumeramos  aqui aspectos positivos e apelos da Vida Religiosa na evangelização de  nosso continente, que incluem pessoas, comunidades, Institutos, Conferências de Religiosos nacionais e continental (CLAR).

(a) Testemunho de Vida pessoal. Ao perguntarmos aos leigos(as), que atuam na evangelização ou colaboram em iniciativas das Congregações sobre o traço característico dos consagrados, o primeiro aspecto que vem à tona consiste no relato de experiências de vida na qual um religioso ou religiosa marcou a existência deles.  Este talvez seja o sinal luminoso mais evidente da Vida Consagrada e que impacta na Evangelização. Cada Congregação religiosa abriga e desenvolve em seu seio um grupo significativo de mulheres e homens extraordinários e simples. Não são grandes celebridades que aparecem na mídia. Na sua vida cotidiana, testemunham bondade, misericórdia, generosidade, amor a Deus, serenidade, solidariedade e profecia. Enfim, valores do Evangelho. A Vida Religiosa tem o rosto de milhares de pessoas, vivas e falecidas, que internalizam os valores evangélicos e o testificaram em gestos, posturas e atitudes, a radicalidade do seguimento de Jesus. Cada vez mais, os cristãos necessitam de modelos ou referências de vida que sejam possíveis e visíveis.

(b) Opção preferencial pelos pobres. É sabido que a maioria das nossas congregações nasceu para atuar junto dos pobres. Lentamente, elas assumiram grandes obras e instituições, que distanciaram seus membros daquele enorme contingente que está “à margem”, privada dos direitos sociais e do exercício da cidadania. Na sociedade contemporânea, multiplicaram-se a riqueza e pobreza. A Vida Consagrada foi chamada a responder a este desafio. Na América Latina, a partir de Medellín-Puebla a opção preferencial pelos pobres ganhou rosto singular. Compreendeu-se que a pobreza não é somente um fenômeno individual, mas sobretudo coletivo. Estruturas políticas, econômicas e sociais legitimam e ampliam a exclusão social. Então, a ação dos religiosos(as) mudou substancialmente. A partir da metodologia libertadora inaugurada por Paulo Freire, consideram-se os pobres como seres humanos chamados a serem protagonistas de sua história, como pessoas, cidadãos e membros da comunidade cristã. Nas comunidades religiosas inseridas e em outras formas similares de missão se valorizam a convivência e discipulado: estar com os pobres numa relação fraterna de aprender e ensinar.
A opção pelos pobres se coloca no horizonte de crítica à sociedade existente e de empenho na construção de um novo projeto de humanidade. Por isso, investe-se na conscientização e na organização popular. Os agentes de Pastoral - presbíteros, religiosos/as e leigos/as - prepararam lideranças populares para assumirem o protagonismo na Igreja e na sociedade. Estão com os pobres, contra a pobreza. As ações assistenciais se libertaram do assistencialismo paternalista, que considera os pobres como “coitadinhos” e incapazes. No correr dos últimos anos, as comunidades religiosas contribuíram enormemente na formação e no acompanhamento de lideranças rurais e urbanas, que atuaram em processos de transformação social. Recentemente, tem-se engajado também no processo de definição e monitoramento das políticas públicas.
Em muitos países do nosso continente, há comunidades religiosas no meio dos pobres, em lugares onde os outros não arriscam entrar. A lista é enorme, e constitui uma grande contribuição da Vida Consagrada para a Evangelização no nosso continente. Citemos aqui alguns destes lugares: bairros pobres e violentos das grandes cidades, comunidades rurais, aldeias indígenas, comunidades terapêuticas de recuperação de drogados, centros de acolhida à população de rua, centros de referência para mulheres pobres em situação de prostituição.

(c) Espiritualidade bíblica e encarnada. Os consagrados são caracterizados como “homens e mulheres de Deus”. A Vida Religiosa nasce e se desenvolve como forma original de seguir a Jesus. Hoje, percebe-se com clareza que ela não é um “estado de perfeição” e sim um “estado de peregrinação”. A partir de uma antropologia unificadora, que compreende o ser humano com unidade plural de corpo e espírito, busca-se superar o espiritualismo pessimista e escapista. O cultivo da Espiritualidade ganha novo sabor. Vai além dos “Exercícios de piedade” e das devoções. Centra-se na leitura da Palavra de Deus em relação com a existência humana. Amplia-se com a oração espontânea, o louvor, os cânticos, a revisão do dia, a partilha das experiências, a celebração comunitária da eucaristia. Ora, tal mudança de perspectiva na espiritualidade da Vida Religiosa apostólica impacta diretamente na forma como ela evangeliza. Em vez de pregar que os cristãos devem se isolar do mundo, convoca-os a transformar o mundo. Quem experimenta a leitura diária da Palavra de Deus tem o desejo de partilhar esta vivência com outros. O ensinamento não está centrado na doutrina, compreendida de maneira fixista, mas no seguimento a uma pessoa, Jesus.
Há um segmento da Vida Consagrada, denominada “contemplativo”, que prioriza no seu estilo de vida, o silêncio, a oração pessoal e comunitária, a mistagogia. O sínodo reconhece a importância deste grupo na (nova) Evangelização. Os religiosos(as) de vida ativa os veem como companheiros e companheiras de caminho, que nos recordam a busca do essencial.
A dimensão contemplativa da Vida Consagrada, de maneiras distintas, é importante para todos, especialmente no contexto de crescente secularização e pluralismo religioso. Religiosos muito ocupadas, mas com o coração vazio de Deus, perdem a cor e o sabor de sua vocação. Coloca-se um imperativo: ou seremos homens e mulheres de Deus no meio do mundo, ou não seremos nada. Nas palavras de Jesus: “Se o sal perde seu sabor, para que servirá? (Mt 5,13s). Embora ainda minoritário, torna-se cada vez mais significativo o número de pessoas que procuram nos consagrados(as) referências de vida no âmbito da mística, da espiritualidade, da contemplação, da harmonia interior. Não querem mestres nem doutores, mas companheiros no caminho espiritual. O que lhes ofereceremos, em âmbito pessoal e coletivo?
No nosso continente, a CLAR e as Conferências nacionais de religiosos(as) oferecem amplo material didático para estimular o exercício da leitura orante da Bíblia. Muitas comunidades adotaram esta prática e a assimilaram como método prioritário para rezar. Mais ainda. Muitos religiosos(as) estão envolvidos, nas Igrejas particulares, na pastoral bíblica, na promoção de grupos de reflexão e partilha em torno da Sagrada Escrituras, na formação e acompanhamento espiritual de lideranças eclesiais a partir da Bíblia. Trata-se de uma contribuição inestimável para a (nova) Evangelização!

(d) Colaboração na edificação da Igreja Viva. A constituição dogmática “Lumen Gentium” resgatou a eclesiologia dos inícios da Igreja, ao utilizar a imagem de “Povo de Deus”. Leigos(as) e religiosos tomaram consciência de que são Igreja, como discípulos(as) de Jesus. Saíram da condição infantil de “filhinhos” e “submissos ouvintes”, para membros ativos. Mas este movimento foi freado recentemente.  Em meio à imensa onda clericalista e concentradora de poder, que devasta como tsunami a Igreja nos últimos 25 anos, felizmente o Sínodo da Nova Evangelização traz novamente a bandeira da “Igreja comunidade” e de estruturas participativas. Que seja bem-vinda!
Um contingente expressivo de religiosos(as) participou ativamente na edificação da “Igreja comunidade”, Povo de Deus a caminho, em nosso continente. Atuou na implementação e no crescimento das Comunidades Eclesiais de Base, colaborou na Catequese renovada, assumiu a animação de comunidades rurais e indígenas sem presbíteros, iniciou várias pastorais sociais, apoiou a organização de comunidades, paróquias, dioceses e Conferências Episcopais nacionais, prestou assessoria pastoral e teológica de muitas formas. Esta história continua, apesar do poder violento da “velha evangelização”, que reprimiu e destruiu experiências admiráveis, edificadas lentamente durante tantos anos. A questão se complica mais, quando religiosos(as) que atuam ativamente nos meios eclesiais, somos acusados de fazer parte de uma “Igreja paralela”. Ora, participação intensa e a crítica construtiva nascem do amor à Igreja e do senso de pertença a ela.
Porque fazemos parte de maneira ativa da Igreja e queremos que ela seja sal, luz e fermento no mundo, questionamos suas estruturas anacrônicas, a concentração do poder, as práticas androcêntricas, o refúgio no passado idealizado. Sonhamos e nos empenhamos para que a Igreja, em suas pessoas e estruturas, exercite a fidelidade criativa ao Evangelho, no diálogo com o mundo. Que sua pregação, seus gestos e sua postura traduzam a Boa Nova de Jesus com profetismo e sabedoria. O empenho pela “cidadania eclesial”, em contexto de ventos contrários, gera conflitos, perseguições e incompreensões, em âmbito individual, comunitário, de instituto e das conferências de religiosos. É o preço que pagamos por aquilo que acreditamos.
No entanto, o foco não reside no conflito ou no eventual dissenso, mas sim na busca da unidade da diversidade, em vista do diálogo vivo do Evangelho com a sociedade contemporânea, como ressaltou o sínodo. Pois é imprescindível que a evangelização, seja nova não somente no ardor, na linguagem e no método, mas também em estruturas eclesiais participativas.

(e) Parceria com os leigos(as) nas Instituições dos religiosos.  Nota-se um crescente envolvimento de profissionais e voluntários leigos na missão dos religiosos(as) em suas instituições formais, como escolas, hospitais, obras sociais, editoras e rádios. Destacam-se entre as causas: diminuição do contingente de consagrados, valorização da vocação do leigo na Igreja, exigência de crescente especialização e maior complexidade da gestão de obras. Inicialmente, os leigos(as) entraram nas obras realizando tarefas operacionais simples. Com o tempo, assumiram funções executoras. A seguir, cargos técnicos, e por fim, a gestão.
Esta realidade exige outra forma dos religiosos(as)  lidarem com os profissionais e voluntários leigos. Não mais de maneira caseira, ou considerando-os meros auxiliares, e sim como participantes da missão. Com o tempo, altera-se a estrutura de poder, abrem-se novos modelos de gestão compartilhada. Assim, a Vida Consagrada colabora com a (nova) evangelização, ao ensaiar estas formas originais de participação, empoderamento e protagonismo dos leigos, em instituições complexas. Escolas, Universidades e hospitais, por exemplo, não somente fazem parte da missão religiosa da Igreja, mas também compartilham de sua feição secular, pois atuam no mercado como prestadoras de serviços. E devem colocar a questão: como ser um sinal do Evangelho na sua própria estrutura organizacional e na maneira como atuam na sociedade?
Um fenômeno recente consiste em que leigos cristãos, para além do âmbito institucional, buscam as comunidades religiosas porque se encantam com o carisma congregacional e querem participar dele, mas mantendo sua condição laical. É ocasião propícia de compartilhar a espiritualidade e criar novas formas de pertença. Eis aí outra oportunidade para a (nova) evangelização.

(f) Religiosos/as em rede. Após o Concílio emergiu a consciência de que os Institutos religiosos apresentam elementos em comum nos carismas, problemas semelhantes, buscas e possibilidades de soluções. Ganham importância as Conferências de Religiosos(as), em âmbito regional, nacional e continental. O primeiro passo consistiu em promover momentos da formação inicial em conjunto. A seguir, estabelece-se a colaboração na reflexão, na animação espiritual, na formação permanente, na missão, e abordam-se temas emergentes, como a questão de gênero, a diversidade cultural e de gerações. Também criam-se iniciativas de partilha de carismas semelhantes. As diversas instâncias de intercongregacionalidade, ocasionais ou permanentes, possibilitam que os religiosos(as) e seus institutos se percebam para além de seus muros institucionais. Ao ver de longe, as vicissitudes ganham o peso que merecem. Renovam-se esperanças, partilham-se alternativas e dilata-se o horizonte de futuro. Sentimo-nos irmanados(as), em sintonia. As distintas “famílias religiosas”, com sua singularidade e relação, constituem uma grande família que chamamos “Vida Consagrada”. Esta forma horizontalizada de compartilhar experiências e realizar projetos comuns é útil para a (nova) evangelização, pois sinaliza um modelo viável de promover a catolicidade, unindo o diverso sem suprimir as singularidades.

Conclusão aberta
Apesar da crise vocacional, perda de membros de meia idade e envelhecimento que assola muitos institutos, há grande vitalidade na Vida Religiosa em nosso continente. Podemos dizer, sem sombra de dúvida, que colaboramos efetivamente na (nova) evangelização. Basta recordar, por exemplo, da imensa presença a atuação junto às crianças e jovens, em creches, escolas privadas, escolas conveniadas para os pobres, centros sócio-educativos, espaços culturais e evangelizadores. Convém recordar que os religiosos(as) tem papel preponderante na organização e animação da Pastoral de Juventude em muitos países, e preparam os jovens para que sejam evangelizadores de outros jovens. Os religiosos(as) também mantém uma série de organizações evangelizadoras na área da comunicação, desde editoras e livrarias, até produtoras de vídeos e emissoras de rádio.

No âmbito social, criam-se comunidades e obras em resposta às novas formas de pobreza e de marginalidade social, tais como toxicodependência, tráfico de seres humanos e população de rua. Algumas iniciativas colocam-se em consonância com o crescimento da consciência cidadã e planetária. Somam-se experiências ligadas à educação ambiental, economia solidária, saúde holística, direitos das mulheres, questões de gênero e diversidade sexual, diálogo inter-religioso, monitoramento das políticas públicas, uso de redes digitais na evangelização, entre outras. Trata-se de um leque amplo e diversificado, no qual se realiza a evangelização voltada para os pobres, em vista de uma nova sociedade, justa, fraterna, solidária e sustentável.

No que diz respeito à formação dos evangelizadores, faz-se necessário o investimento contínuo na seleção, formação inicial e acompanhamento de profissionais e voluntários leigos(as) que atuam nas obras e presenças apostólicas dos Institutos. Neste processo, conjugam-se as exigências profissionais com formação teológico-pastoral e conhecimento do carisma congregacional. Além disso, há um lado explicitamente religioso, que não está ligado à dimensão profissional. Trata-se de acompanhamento espiritual e da constituição de grupos de leigos e leigas que se sentem atraídos pelos carismas e querem tomar parte dele, como elemento constitutivo de sua opção de vida. Isso pode configurar novas formas de pertença e trazer um novo matiz para a evangelização.

A grande questão reside no fato de que as mudanças sócio-culturais são muito rápidas, e a Igreja tende a manter a linguagem, o método e os interlocutores já conquistados. Investe-se pouco em processos de renovação e de inovação. E neste campo, a Vida Religiosa pode “sair na frente”, como uma referência para a comunidade eclesial. Como? Constituindo eficazes “redes de profecia e inovação”. Como se afirmou anteriormente, grande é a complexidade da vida moderna em todos os âmbitos, e os desafios e oportunidades mudam com rapidez. Cada congregação, isoladamente, não tem em mãos as informações e os recursos (humano, patrimonial, financeiro, tecnológico, pedagógico, pastoral, profissional,...) necessários para tomar decisões e promover iniciativas arrojadas na Evangelização e no diálogo intercultural.

Muitos são os riscos e empecilhos. Alguns exemplos: O movimento popular ainda não se recuperou da crise de letargia que a atingiu nos últimos anos. No campo de organizações privadas de prestação de serviço, sofre-se a avassaladora concorrência do mercado. No âmbito eclesial, enfrentamos ondas conservadoras poderosas, que ameaçam afogar a Igreja dos Pobres. A lista, que poderia se alongar, confirma a apelo: ou nos unimos ou morreremos lentamente, cada um no seu canto.
Além da efetiva colaboração nas Conferências de Religiosos nacionais e na CLAR, que devem primar pela leveza e agilidade, as congregações que abraçam projetos pastorais semelhantes devem desenvolver mecanismos de partilha e de gestão de conhecimento (teórico e prático). Em alguns casos, isso significa a constituição de comunidades e de obras intercongregacionais. Em outros, exige a implementação de parcerias e de alianças estratégicas. Trata-se de estimular a cultura da colaboração intensa e da partilha de competências pastorais, na qual cada um oferece para o outro(a) o que tem de melhor e dele(a) recebe algo que necessita para seu crescimento, a serviço da evangelização.

Que o ardor e a ousadia dos nossos fundadores e fundadoras ecoem em nós, para abrirmos juntos caminhos evangelizadores no nosso continente!

quinta-feira, 28 de março de 2013

Prece pascal


Obrigado, Jesus, pela sua missão libertadora e salvadora: anúncio, cura do corpo e da alma, inclusão social e religiosa, proximidade de Deus Pai-mãe, acolhida aos pobres e pecadores, carinho sem igual para as crianças, esperança para os desesperados.
Eu te dou graças pelo seu gesto radical de amor-entrega na ceia: corpo doado, sangue derramado, partilha em torno à mesa, memória sempre presente.
Contigo percorro os caminhos da via crucis: julgamento injusto, enfrentamento com Herodes e Pilatos, quedas, encontros, alertas, dores, morte que clama aos céus, abandono, amor consumado.
Sem ti passo o sábado do silêncio e da espera.
Com meus irmãos e irmãs te louvo, pois venceste a morte, estás VIVO, conosco, com toda a humanidade, traçando caminhos luminosos.
Aleluia! O Senhor ressuscitou!

segunda-feira, 25 de março de 2013

Memória viva de Oscar Romero

Partilho com você 10 frases de Oscar Romero, selecionados por Frei Gilvander Moreira. O bispo de El Salvador foi assassinado há 33 anos atrás, no dia 24 de março, e sua voz ecoa como grito pela justiça e pela paz.

(1) “Irmãos, eu gostaria de gravar no coração de cada um esta ideia: o cristianismo não é um conjunto de verdades nas quais devemos acreditar, de leis que devem ser cumpridas, de proibições! Assim se torna muito repugnante. O cristianismo é uma pessoa, que me nos amou tanto, que pede nosso amor. O cristianismo é Jesus Cristo e o evangelho.” (06/11/ 1977).

(2) “Que maravilha será o dia que cada batizado compreender que sua profissão, seu trabalho, é um trabalho sacerdotal; que, assim como eu celebro a missa no altar, cada carpinteiro celebra sua missa na sua carpintaria, cada profissional, cada médico com seu bisturi, a mulher na feira, no seu lugar de trabalho… estão fazendo um ofício sacerdotal. Quantos motoristas que escutam esta mensagem no seu táxi. Tu, querido motorista, junto ao volante do seu táxi és um sacerdote se trabalhas com honradez, consagrando a Deus seu táxi, levando uma mensagem de paz e de amor a teus clientes que vão no seu automóvel.” (20/11/1977)
 
(3) “Uma religião de missa dominical, mas de semanas injustas não agrada ao Deus da Vida. Uma religião de muita reza, mas de hipocrisias no coração não é cristã. Uma Igreja que instala só para estar bem, para ter muito dinheiro, muita comodidade, porém que não ouve os clamores das injustiças não é a verdadeira igreja de nosso Divino Redentor.”(04/12/1977)
 
(4) “Ainda quando nos chamem de loucos, ainda quando nos chamem de subversivos, comunistas e todos os adjetivos que se dirigem a nós, sabemos que não fazemos nada mais do que anunciar o testemunho subversivo das bem-aventuranças,  que proclamam bem-aventurados os pobres, os sedentos de justiça, os que sofrem.” (11/05/1978)
 
(5) “Muitos querem que o pobre sempre diga que é “vontade de Deus” que assim sobreviva. Não é vontade de Deus que uns tenham tudo e outros não tenham nada. Não pode ser de Deus. A vontade de Deus é que todos os seus filhos e filhas sejam felizes.”(10/09/1978)
 
(6) “É ridículo dizer que a Igreja se tornou marxista. Porém há um "ateísmo" mais próximo e mais perigoso para nossa igreja: o ateísmo do capitalismo, quando os bens materiais se tornam ídolos e substituem Deus.” (15/09/1978)
 
(7) “Uma igreja que não sofre perseguição, mas que desfruta privilégios e o apoio de coisas da terra – Tenham Medo! – não é a verdadeira igreja de Jesus Cristo.” (11/03/1979)
 
(8) “Quantos existem que não dizem ser cristãos, porque não têm fé…! Têm mais fé no seu dinheiro e em suas coisas do que no Deus que criou tudo.” (03/06/1979)
 
(9) “Para que servem belas estradas e aeroportos, belos edifícios e grandes palácios, se foram construídos com o sangue de pobres que jamais vão desfrutá-los?” (15/07/1979)
 
(10) “Não nos cansemos de denunciar a idolatria da riqueza, que faz consistir a grandeza da pessoa humana no ter e esquece que a verdadeira grandeza é ser. A pessoa humana não vale pelo que tem, mas pelo que é e faz.” (04/11/1979)

sexta-feira, 8 de março de 2013

Um Papa e Duas Mulheres

Partilho com você este inusitado artigo da teóloga e amiga Maria Clara Bingemer, escrito por ocasião do Dia Internacional de Mulher.
O Dia Internacional da Mulher, celebrado a 8 de março, sempre suscita uma série de homenagens em forma de textos, reflexões, clipes, imagens etc. A Igreja Católica se soma a esse coro sempre, mas discretamente.  Neste ano, porém, temos um fato novo. O Papa Bento XVI, após anunciar sua renúncia e celebrando a missa da Quarta feira de Cinzas, citou como exemplo da conversão à qual o Povo de Deus é convidado no início da Quaresma  duas mulheres: a jovem judia holandesa Etty Hillesum e a católica estadunidense Dorothy Day.
Duas biografias diferentes, dois perfis bem diversos.  Mas, no fundo, quantos e quão importantes traços em comum.  Um desejo radical e profundo as fez buscar em pessoas, ideologias e experiências várias a fonte onde pudessem saciar sua sede.  Pois enquanto Etty era uma jovem mulher extremamente sensual, com vários namorados, outros tantos admiradores e uma grande cultura e paixão pela literatura, Dorothy também se apaixonou, amou e foi amada, mas antes foi usada e abandonada.  Também amava a literatura e era uma voraz leitora. Ambas, cada uma em seu momento, foram fascinadas pelo socialismo, chegando Dorothy a ser membro do Partido Comunista.

Ambas encontram a Deus por uma mediação humana.  Para Etty, foi Julius Spier,o psicólogo discípulo de Jung, que lhe deu coragem para rezar e dirigir-se a Deus. Para Dorothy, foi a filha Tamar Therese, gerada após um aborto que ela acreditava havê-la tornado estéril para sempre.  Ávidas de verdade, de absoluto, de sentido para suas vidas, ambas não hesitaram em mergulhar de cabeça nos braços desse Deus que lhes revelou Seu rosto amoroso e sedutor. Etty recebeu graças e viveu experiências comparáveis às dos maiores místicos de toda a história da espiritualidade. Dorothy fez um percurso cada vez mais radical na vivência do Evangelho de Jesus Cristo na sua integridade mais plena.
A conversão e a experiência de Deus deram seu fruto em ambas através de compromissos concretos.  Para Etty, o amor de Deus que transformou sua vida passou a ter o rosto de seu povo perseguido, dizimado e exterminado em pleno holocausto nazista.  Sua maturidade espiritual chega juntamente com o desejo e a decisão de partilhar o destino massivo e coletivo do povo judeu triturado pelo nazismo.  Recusa toda a possibilidade de evadir-se e escapar e vai para Auschwitz, onde morre nas câmaras de gás em agosto de 1943, aos 29 anos.
Para Dorothy,  a conversão a Deus passa pela conversão aos pobres.  É em meio a estes e estas que a jornalista liberal e namoradeira vai sentir-se em casa, que descobrirá a verdadeira beleza.  É deles e delas que fará a prioridade número um de sua vida longa, de 80 anos.  O amor pelos pobres, inspirado pelo Evangelho de Jesus, levou Dorothy a identificar-se totalmente com os pobres, que em seu país e em seu tempo eram os migrantes, os desempregados da grande depressão dos anos 1930.  E mais tarde os soldados recrutados à força para participar de guerras injustas como a do Vietnam entre outras. Vestida com a roupa doada aos indigentes, comendo como eles, Dorothy morreu em meio a eles, totalmente irmanada aos que são os preferidos de Deus segundo Jesus Cristo.

Propondo o exemplo dessas duas mulheres aos cristãos do mundo inteiro no umbral da Quaresma, Bento XVI mencionou sua conversão. Etty Hillesum, insatisfeita e sedenta de verdade, por fim descobriu dentro de si o poço profundo no qual estava Deus.  Daí em diante a história de sua vida foi outra e outro seu destino. Dorothy Day, primeiro seduzida pelas ideologias de seu tempo, terminou por escolher a verdade e abrir-se à fé. Trilhou fielmente esse caminho em plena secularidade e em profunda comunhão com os pobres e os últimos deste mundo. Aí e somente aí encontrou a paz e a alegria que tanto buscara.
Neste Dia Internacional da mulher vale relembrar as duas mulheres que o Papa - que recém deixou a Sé de Pedro - valorizou como exemplos do que seja a metanoia que a Quaresma propõe. Para além das pertenças institucionais e eclesiásticas, a judia Etty Hillesum e a católica Dorothy Day nos sinalizam o que é ser mulher: ser aberta, habitada por um desejo profundo, disposta a abraçar maternalmente todas as dores do mundo para redimi-las com seu corpo e sua vida. Duas mulheres livres e inspiradoras, essas que Bento XVI nos deixa como presente ao despedir-se do pontificado.
Maria Clara L. Bingemer

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Caminos y tareas de la teología latinoamericana

Partilho com você a apresentação utilizada durante a aula inaugural na Faculdade de Teologia da Universidade Javeriana, em Bogotá, Colômbia.
Caso você não consiga baixar o arquivo através do Slideshare, envie-me um email, que lhe enviarei a apresentação. murad4@hotmail.com


segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

O oleiro. Ser aprendiz

É uma parábola sobre a existência humana, como um processo de aprender a aprender.
Deixar-se iluminar, manter o espírito de aprendiz.

Acesse: http://www.youtube.com/watch?v=k5m5-LDIN7M

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Carta da 4ª Ampliada Nacional das CEBs

Partilho com você esta comunicação, que nos coloca em sintonia com o processo de preparação para o próximo encontro intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs).

Miriam, a profetisa tomou nas mãos um tamborim e todas as mulheres a seguiram com tamborins, formando coros de danças. E Miriam lhe entoava: "Cantai a Javé, pois de glória se vestiu!" (Ex 15, 20-21). Romeiros e romeiras do Reino do campo e da cidade viemos aqui, de todos os recantos do Brasil, para IV Ampliada Nacional de Comunidades Eclesiais de Bases (CEBs), no Vale do Cariri coração do nordeste. Como o povo respondeu ao chamado de Miriam, que convidava a dançar ao Deus na vida, assim nós, respondemos ao chamado do Deus da esperança que anima o trem das CEBs rumo ao 13º Intereclesial.
É com muita alegria que convidamos você a entrar neste cordão da dança, que se realizará de 07 a 11 de janeiro de 2014, em Juazeiro do Norte, Diocese de Crato, Ceará. Como o tamborim de Miriam convocou o povo, nos sentimos convocadas e convocados ao ritmo alegre da sanfona para dançar a justiça e profecia a serviço da vida, como resposta aos gritos de dor provocados pelos projetos que signifiquem sinais de morte para o nosso povo, que estão sendo implantados em todo Brasil.
Nesta ultima ampliada num clima de profunda mística, olhamos a realidade que desafia a vida em plenitude do nosso povo. Alegramo-nos com a partilha do trem das CEBs, que passa em cada comunidade, diocese e regional. Lá, onde os vagões das CEBs passam, reacende a chama da esperança na realização da sociedade do bem viver e do bem conviver, em comunhão com todas as CEBs da grande Pátria, América Latina e Caribe. Como é próprio da nossa caminhada de igreja compartilhamos os novos trilhos que estão sendo postos, através do serviço das diversas equipes, para que o trem das CEBs chegue à estação do Ceará, debaixo do chapéu de padre Cicero, no calor do grande caldeirão, das lutas, culturas, sonhos e esperanças para vivenciarmos a grande proposta do Reino que já se faz presente.
Já sentimos o gostinho desta festa no lançamento do Texto base e das Cartilhas na Casa da Mãe das Dores e das Alegrias, que no decorrer destes anos tem acolhido romeiros e romeiras que aqui vem; como também, saboreamos o prazer da preparação das diversas famílias, paroquias e comunidades que acolherão os delegados e delegadas. Herdeiras e herdeiros das grandes lutas populares pela libertação como o foram Palmares, Canudos e Caldeirão, somos hoje convocados e convocadas pela firmeza da fé dos beatos e beatas do povo de Deus, Antônio Conselheiro, Maria de Araújo e José Lourenço, pelo amor à justiça e vida do padre Ibiapina e padre Cicero.
Não perca o trem se prepare e vem também! O trem tem datas e horários marcados: até 31 de maio 2013 confirme o seu "bilhete" - ficha de inscrição.
Sob o olhar maternal e solidário da Mãe das Dores e das Alegrias acolhemos sua benção para que nossos passos sejam firmes como foram os dela.
Um abraço amoroso de toda Equipe da Ampliada Nacional das CEBs
Amén, Axé, Auere, Oxente, Aleluia!
Crato 27 de janeiro de 2013

Secretariado do 13º Intereclesial das CEBs
Rua Teófilo Siqueira, 631 - Centro - CEP 63.100-010 - Crato CE
Fone/Fax (88) 3251-1110 - Email intereclesialcrato@yahoo.com.br
Regional Sul I da CNBB/S.Paulo
Fonte: www.cnbb.org.br

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Espiritualidade e Educação

Estive em Campinas (SP), onde colaborei numa jornada destinada a educadores(as) de Escolas Cristãs da região. Participaram aproximadamente 500 professores(as) do ensino fundamental e médio, além de técnicos(as) e gestores(as). O encontro aconteceu no Colégio Imaculada, das Filhas de Jesus.
No dia seguinte, refleti o mesmo tema com os educadores(as) do Colégio Marista de Natal.
Partilho com você, que esteve nestes encontros, o link dos eslaides em Powerpoint.
http://www.slideshare.net/AfonsoMurad/espiritualidade-e-educao-olhar-do-telogo-13704162

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Compromissos do Curso de Verão 2013

Partilho com você o núcleo da “carta de compromisso do Curso de Verão”,  realizado de 06 e 13 de janeiro de 2013. O Curso organizado pelo CESEEP (Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular) acontece em parceria com a PUC-SP e o TUCA, num grande mutirão com dezenas de outras entidades, comunidades e famílias que hospedaram os que vieram de fora de São Paulo. Neste ano, reuniu 512 pessoas entre participantes (368), monitores (78), voluntários/as das equipes de serviço (53), assessores (06) e responsáveis das mesas de debate (07), pertencentes a diferentes igrejas cristãs, religiões e filosofias de vida, vindos de todas as regiões  do Brasil e de onze países das Américas (Bolívia, México, Estados Unidos da América, Venezuela); África (Cabo Verde e Quênia), Ásia (Índia) e Europa (Itália, Espanha, Polônia, Eslováquia).
O tema deste ano, REDES DIGITAIS: tecendo relações, construindo comunidades, exercendo cidadania, segundo a Carta final,  “deu-nos a oportunidade de entrar nesta verdadeira revolução cultural do mundo digital, alargando ainda mais nossos horizontes com seis mesas de partilha e debate em torno ao tema”. Assessorei o curso em duas manhãs, com uma leitura teológico-pastoral. Os eslaides da projeção em powerpoint estão disponíveis neste blog. Leia o compromisso assumido pelos participantes. Veja o que se aplica à sua prática.

Convencidos de nossa responsabilidade eclesial e cidadã neste campo de redes digitais construídas com ética e empenhadas na erradicação da pobreza e das exclusões sociais, numa cultura do diálogo, da justiça, da paz e do cuidado com o meio ambiente, assumimos o compromisso de:

NO CAMPO DAS REDES DIGITAIS:
 - Encantar a juventude, inovando nossas propostas com as mídias digitais, numa dinâmica formativa e transformadora.
- Usufruir do potencial da tecnologia, utilizando todas as suas ferramentas, com criatividade, como facilitadoras da nossa prática no campo  religioso, pedagógico, social, político ou cultural.
- Utilizar a rede na propagação da justiça e da paz, colocando as pequenas ideias em prática, por meio de ferramentas que estão ao nosso alcance e mobilizando a população menos favorecida.
- Criar uma Rede social solidária com conteúdos interativos e que respondam às necessidades pessoais e sociais dos participantes, sendo também espaço de divulgação das ações onde estamos engajados/as. 
- Estabelecer o estreitamento das relações entre as pessoas nas redes digitais, respeitando as diferenças, a diversidade e a alteridade, mantendo o diálogo com todos/as.

NO CAMPO DA FORMAÇÃO E ESPIRITUALIDADE
- Trabalhar com a educação popular, buscando a humanização das relações e preparando materiais pedagógicos para divulgação nas redes.
- Ter um olhar ecológico e levar adiante atitudes que preservem nossa casa comum.
- Repensar nossas ações nas Pastorais e Movimentos Sociais para fazer ressoar as mensagens de vida.

NO CAMPO DAS INICIATIVAS ECLESIAIS E CIDADÃS
- Valorizar o uso consciente das redes digitais e sermos promotores da cidadania.
- Não deixar de fazer o que deve ser feito, por falta de recursos, mas aproveitar com sabedoria o que se tem para construir um novo mundo da melhor forma possível.
- Ser ético na vida real e na virtual quanto à sua identidade, colaborando com a democratização, o respeito e a valorização das minorias.
- Levar à comunidade o conhecimento sobre o uso da internet, quanto à prudência e à privacidade dentro da rede e fazer com que a comunidade possa caminhar em conjunto com essa nova forma de comunicação.
- Ser missionários digitais, propagando a necessidade de transformação social em busca do bem comum, da defesa do meio ambiente, da ética e dos direitos humanos, especialmente das minorias.
- Ser multiplicadores do conhecimento adquirido no Curso de Verão, contribuindo na formação de novos educadores.
www.ceseep.org