Para guardar na memória e cultivar boas recordações, duas fotos da turma de Escatologia do curso de graduação em Teologia do ISTA (Instituto Santo Tomás de Aquino) de Belo Horizonte, ano 2013.
terça-feira, 27 de agosto de 2013
sábado, 3 de agosto de 2013
O legado do Papa Francisco no Brasil
Partilho com você este
artigo de Leonardo Boff, que expressa em grande parte a minha percepção sobre a vinda de
Francisco ao Brasil.

No campo político encontrou um país conturbado pelas multitudinárias manifestações dos jovens. Defendeu sua utopia e o direito de serem ouvidos. Apresentou uma visão humanística na política na economia e na erradicação da pobreza. Criticou duramente um sistema financeiro que descarta os dois pólos: os idosos porque não produzem e os jovens não criando-lhes postos de trabalho. Os idosos deixam de repassar sua experiência e os jovens são privados de construir o futuro. Uma sociedade assim pode desabar.

Não é fácil em poucas palavras resumir os pontos relevantes
das intervenções do Papa Francisco no Brasil. Enfatizo alguns com o risco de
omitir outros importantes.
O legado maior foi a figura do Papa Francisco: um humilde
servidor da fé, despojado de todo aparato, tocando e deixando-se tocar, falando
a linguagem dos jovens e as verdades com sinceridade. Representou o mais nobre
dos líderes, o líder servidor que não faz referência a si mesmo, mas aos outros,
com carinho e cuidado, evocando esperança e confiança no futuro.No campo político encontrou um país conturbado pelas multitudinárias manifestações dos jovens. Defendeu sua utopia e o direito de serem ouvidos. Apresentou uma visão humanística na política na economia e na erradicação da pobreza. Criticou duramente um sistema financeiro que descarta os dois pólos: os idosos porque não produzem e os jovens não criando-lhes postos de trabalho. Os idosos deixam de repassar sua experiência e os jovens são privados de construir o futuro. Uma sociedade assim pode desabar.
O tema da ética era recorrente, fundada na dignidade
transcendente da pessoa. Com referência à democracia cunhou a expressão
“humildade social” que é falar olho a olho, entre iguais e não de cima para
baixo. Entre a indiferença egoista e o protesto violento apontou uma opção
sempre possível: o diálogo construtivo. Três categorias sempre voltavam: o
diálogo como mediação para os conflitos, a proximidade para com as pessoas para
além de todas as burocracias e a cultura do encontro. Todos tem algo a dar e
algo a receber. “Hoje ou se aposta na cultura do encontro ou todos perdem”.
No campo religioso, Francisco foi mais fecundo e direto.
Reconheceu que ”jovens perderam a fé na Igreja e até mesmo em Deus pela
incoerência de cristãos e de ministros do evangelho”. O discurso mais severo
reservou-o para os bispos e cardeais latinoamericanos (CELAM). Reconheceu que a
Igreja, e ele mesmo se incluíu, está atrasada com referência à reforma das
estruturas da Igreja. Conclamou não apenas a abrir as portas para todos, mas a
sairem em direção do mundo e para as “periferias existenciais”. Criticou a
“psicologia principesca” de membros da hierarquia. Eles tem que ser pobres
interior e exteriormente. Dois eixos devem estruturar a pastoral: a proximidade
do povo, para além das preocupações organizativas e o encontro marcado de
carinho e ternura. Fala até da necessária “revolução da ternura” coisa que ele
mostrou viver pessoalmente. Entende a Igreja como mãe que abraça, acaricia e
beija. Essa atitude materna os pastores devem cultivar para com os fiéis. A
Igreja não pode ser controladora e administradora mas servidora e facilitadora.
Enfaticamente afirma que a posição do pastor não é a posição do centro mas a
das periferias. Esta afirmação é de se notar: a posição do bispos deve ser “ou
à frente para indicar o caminho, ou no meio para mantê-lo unido e neutralizar
as debandadas, ou então atrás para evitar que alguém se desgarre” e dar-se
conta de que “o próprio rebanho tem o seu olfato para encontrar novos
caminhos”. Ademais, deu centralidade aos leigos para junto com os pastores
decidirem os caminhos da comunidade.
O diálogo com o mundo moderno e a diversidade religiosa: o
Papa Francisco não mostrou nenhum medo face ao mundo moderno; quer trocar e
inserir-se num profundo sentido de solidariedade para com os privados de comida
e de educação. Todas as confissões devem trabalhar juntas em favor das vítimas.
Pouco importa se o atendimento é feito por um cristão, judeu, muçulmano ou
outro. O decisivo é que e o pobre tenha acesso à comida e à educação. Nenhuma
confissão pode dormir tranquila enquanto
os deserdados deste mundo estiverem gritando. Aqui vige um ecumenismo de
missão, todos juntos, a serviço dos outros.
Aos jovens, Francisco dedicou palavras de entusiasmo e de
esperança. Contra uma cultura do consumismo e da desumanização convocou-os a
serem “revolucionários” e “rebeldes”. É
pela janela dos jovens que entra o futuro. Criticou o restauracionismo de
alguns grupos e o utopismo de outros. Colocou o acento no hoje:”no hoje se joga
a vida eterna”. Sempre os desafiou para o entusiasmo, para a criatividade e
para irem pelo mundo espalhando a mensagem generosa e humanitaria de Jesus, o
Deus que realizou a proximidade e marcou encontro com os seres humanos.
Na celebração final havia mais de três milhões de pessoas,
alegres, festivas e na mais absoluta ordem. Desceu um aura de benquerença, de
paz e de felicidade sobre o Rio de Janeiro e sobre o Brasil que só podia ser a
irradiação do terno e fraterno Papa
Francisco e do Sentimento Divino que soube transmitir. (Fonte: http://leonardoboff.wordpress.com/)
Assinar:
Postagens (Atom)